Obviamente que a pergunta do título acima é sugestiva para alcançar especificamente aqueles que sentem isso na pele. Aqueles que graças a Deus nunca entenderam porque outros dizem que sentem que é tão difícil vencer os “vícios sexuais”, podem até estranhar a pergunta em questão. Afinal de contas nem todas as pessoas são tentadas da mesma forma, ou com a mesma intensidade, ainda que sintam algumas afinidades em certas áreas de tentação.

Penso que toda e qualquer tentação seja muito particular para cada indivíduo, pois “cada um de nós é tentado quando atraído e engodado pela SUA PRÓPRIA concupiscência” (Tiago 1.14). Observe que o texto bíblico diz que a concupiscência mencionada é uma coisa própria da pessoa tentada: “sua própria concupiscência”. Não se trata da concupiscência de um amigo, parente próximo ou mesmo do cônjuge. Além disso, esta concupiscência, que é própria ao indivíduo em questão, pode ter uma força sobre ele maior do que ele gostaria de admitir, pois a força do desejo (sexual ou não) vai assumir proporções que dependem do quanto a pessoa fortaleceu aquele desejo ao longo da vida. As Escrituras dizem que devemos “fazer morrer nossos desejos terrenos” (Colossenses 3.5), entretanto, quando, em vez disso, “alimentamos tais desejos”, estamos, na verdade, nos auto-sabotando e nos predestinando para uma futura queda naquela mesma área em questão. Ao agirmos assim estaremos na verdade desenvolvendo o “hábito de pecar”.

Penso que este “auto-sabotamento” mencionado no parágrafo anterior pode ser melhor compreendido quando entendemos a maneira que os hábitos são desenvolvidos em nossas vidas. Quando estamos aprendendo a dirigir, por exemplo, tudo é muito tenso. Cada momento e cada tomada de decisão parece exigir um grau de energia fora do comum. Há muita responsabilidade envolvida e uma carga emocional muito grande nos envolve durante os primeiros meses de treinamento ao volante. Certo tempo depois, quando já nos habituamos com aquela prática, nem sequer nos lembramos que estamos exercendo o controle e tomando decisões de forma quase inconsciente. De forma semelhante treinamos nosso cérebro para administrar praticamente todas as atividades da nossa vida natural. Aprendemos a andar e a correr seguindo basicamente os mesmos princípios de treinamento cerebral; assim também os idiomas que falamos, os textos que escrevemos, etc. Tudo que  hoje fazemos “automaticamente” foi desenvolvido com dedicação até que nos habituássemos com as atividades envolvidas e passássemos a dominá-las de forma quase inconsciente.

Depois que estamos habituados com certas atividades não precisamos pensar muito a respeito para desempenhar a ação. Isso poupa tempo, energia e podemos nos concentrar em outras atividades que também precisem da nossa atenção. Por isso que alguém experiente tira o carro de uma garagem em marcha ré enquanto, ao mesmo tempo, usa o telefone e procura uma estação de rádio de sua preferência no carro. O treinamento que seu cérebro recebeu lhe permite agir dessa forma com certa facilidade. “Simplesmente flui…”

Eu penso que boa parte dos cristãos que ainda pecam na área sexual o fazem pela força do hábito. O hábito, que é um recurso cerebral projetado por Deus para o nosso bem, pode então, em casos como estes, se tornar uma armadilha contra nós  mesmos. O que aconteceu foi o seguinte: Treinamos nosso cérebro pela repetição consistente na busca por certos tipos de prazeres através da imaginação e da pornografia na internet, que chegará um momento que será quase impossível reverter a situação sem bastante esforço.

Não existem porções mágicas, ou libertações milagrosas quanto à reprogramação dos sentimentos e inclinações emocionais. A Bíblia fala de operações milagrosas em relação a expulsão dos demônios. Em Lucas 8.2 está escrito que “mulheres haviam sido curadas de espíritos malignos E de enfermidades”. Outro texto das Escrituras dizem que “o servo do Senhor deve disciplinar (os cristãos que precisam) na expectativa de que Deus lhes conceda o arrependimento e o retorno a sensatez livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2 Timóteo 2.24-26). O primeiro texto fala sobre ser “curado de espíritos malignos” e o segundo sobre “livrar-se dos laços do diabo”. Em outras palavras, no aspecto espiritual é possível experimentar um rompimento do vício sexual de forma milagrosa, e até poderíamos chamar isso de “libertação” segundo a lógica dos textos citados; CONTUDO, o processo de restauração e fortalecimento das emoções e do caráter leva mais tempo. Veja que no texto de Timóteo Paulo fala sobre arrependimento E retorno a sensatez. O arrependimento pode se dar em um instante, rompendo assim laços espirituais que prendiam a pessoa, mas o retorno à sensatez pode demorar um pouco mais, pois trata-se de um processo. O arrependimento pode vir em um segundo, mas o “retorno à sensatez” pode levar meses ou anos. Pode-se dizer que vai depender também de quanto a pessoa se devotou ao pecado praticado em seu comportamento anterior e da disciplina empregada por ela na determinação de restaurar seus sentimentos e inclinações sexuais.

Comumente o processo de degradação ou de restauração é demorado. Nunca é da noite pra o dia, ou do dia pra noite. Leva tempo até que um indivíduo cristão venha a se permitir a pecar, assim como leva tempo para o cristão arrependido voltar a ter o total controle das suas inclinações carnais. Imagine que você desceu em uma longa rua até o final e depois terá que subir novamente. Obviamente que para subir você precisará usar mais esforço, ainda que seja basicamente a mesma distância percorrida. Além disso, do mesmo jeito como você precisou descer passo após passo, assim também você terá que subir. Cada passo em direção à descida te levou até o lugar de onde você terá que dar cada passo de volta até finalmente ter subido.

O tempo que você gastou se dedicando ao prazer que pôde ter com o pecado, é, no mínimo, o mesmo tempo que você precisará gastar para se dedicar à pureza e à santidade. Ao longo desse processo provavelmente surgirão pessoas ou situações que abalarão suas emoções despertando velhos desejos, e caso você deslize e peque muito ou peque pouco, se arrependa o mais rápido possível, não se acomode ao sentimento despertado, retome as rédeas nas mãos e siga em frente no nome de Jesus. Se houver alguém realmente espiritual em quem você possa confiar, que te ame de verdade nos padrões bíblicos, converse com tal pessoa, desabafe sobre o ocorrido e ore junto com ela para o seu fortalecimento (Este é o ensinamento de Gálatas 6.1,2 e Tiago 5.16 e 1 João 5.16).

O Novo Testamento diz para “FUGIR da impureza”. Fugir é o oposto de PROCURAR, PESQUISAR, SE INTERESSAR, QUERER SABER, IR ATRÁS… sendo assim, por causa do velho hábito, será preciso esforço e muita dedicação. Se você deseja passar em um concurso ou no vestibular, é preciso esforço, dedicação e uma boa dose de disciplina, pois o teste que você enfrentará além de muito importante, exigirá muito de você. De quanto maior dedicação e disciplina você acha que precisa para enfrentar o grande teste da aprovação divina? Afinal, o texto sagrado não diz que “importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito POR MEIO DO CORPO?” (2 Coríntios 5.10).

Os detalhes e os pormenores de uma vida sexualmente saudável serão consequência de uma vida pura que viermos a ter na consciência. É necessário se informar e se dedicar na leitura de bons livros que falem sobre esses assuntos, além de desfrutar da companhia de pessoas realmente espirituais que não aprovarão o seu erro, mas não te abandonarão por causa deles. Só assim será possível retomar as rédeas da sua vida de volta às suas mãos. A recomendação de Paulo é para “fugir das paixões e seguir a justiça, a fé, o amor e a paz COM OS QUE, de CORAÇÃO PURO, invocam o Senhor” (2 Timóteo 2.22). Ter amigos verdadeiramente espirituais é uma das chaves para a santidade, e é sempre bom se cercar de bons motivos para se manter fiel e puro nos caminhos com Deus.


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