O Batismo no Espírito Santo

Em vários lugares das Escrituras encontramos passagens que fazem referência ao fato de Deus ter prometido que um dia seu Espírito seria concedido livremente aos homens. Um dos textos mais populares se encontra em Joel 2.28,29 quando Deus disse “Acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias”. Inclusive esta foi a passagem usada por Pedro quando quis explicar que os discípulos não estavam embriagados como alguns estavam pensando, e foi com este texto bíblico que Pedro explicou que aquilo não era outra coisa senão o cumprimento da profecia do derramamento do Espírito Santo que havia sido prometido por Deus.

Além dos inúmeros textos do Antigo Testamento que fazem alusão a esta promessa, também encontramos outros textos no Novo Testamento que também a mencionam, demonstrando assim a sua importância para a vida cristã na atual Aliança. Em Efésios 1.3 Paulo disse: “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tenho nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito PROMETIDO”. Em Gálatas 3.14 Paulo diz: ” Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito PROMETIDO”. O próprio Jesus mencionou esta importante promessa: “Eis que envio sobre vós a PROMESSA de meu Pai” (Lucas 24.49). Atos 2.33 diz que “[Após Jesus ter sido] exaltado, à destra de Deus, tendo recebido do Pai A PROMESSA DO ESPÍRITO SANTO, derramou isto [as línguas] que vedes e ouvis”. Para concluir, o povo em Atos 2 depois de ter ouvido a explicação de Pedro sobre as línguas que os confundia, lhe perguntaram no versículo 37: “O que devemos fazer irmãos?” e Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e RECEBEREIS O DOM DO ESPÍRITO SANTO. Pois para vós outros é a PROMESSA, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (Atos 2.38,39). O Espírito que fora prometido por Deus é para todos quantos o Senhor chamar!

Ora, se Deus prometeu, certamente é porque ele desejava dar o que fora prometido! Deus quis, planejou e fez questão de gerar expectativa ao longo dos anos de que um dia o seu Espírito habitaria o coração do homem e o seu poder estaria sobre todos aqueles que nele cressem. Por meio de Ezequiel o Senhor disse: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ezequiel 36.26,27). Quando Jesus mencionou a vinda do Espírito Santo ele disse: “O Pai vos dará outro Consolador, afim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber… vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” (João 14.16,17).

Quando os cerca de 120 irmãos foram cheios do Espírito Santo pela primeira vez e falaram em línguas Pedro disse que se tratava do cumprimento da antiga promessa de que “Nos últimos diasDeus derramaria do seu Espírito sobre toda carne” (Atos 2.17). Se o dia de Pentecostes foi o primeiro dia em que crentes receberam o Espírito Santo, com a evidência bíblica de falar em outras línguas, então, aquele foi o primeiro dia dos últimos dias! O Batismo no Espírito Santo é uma característica necessária para todo crente que viverá durante o período bíblico chamado de “últimos dias”. Deus não fez planos para que seus servos vivessem os últimos dias sem os recursos e benefícios advindos da oração em línguas, consequência direta do Batismo no Espírito Santo.

Infelizmente alguns cristãos tem experimentado apenas uma parte do que Deus planejou para eles; influenciados talvez por uma pregação parcial a respeito do Batismo no Espírito Santo, muitos estão experimentando apenas parte do que houvera sido prometido. Um relato no capítulo 19 do livro de Atos exemplifica muito bem o que acabei de dizer. Do Versículo 1 ao 6 diz que “Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam”. Estes irmãos de Éfeso não tinham sido batizados no Espírito Santo porque “sequer tinham ouvido falar a respeito”. Esta sempre é a razão porque alguns cristãos não experimentam tudo que poderiam, pois nem sempre tem tido a sorte de ouvir uma pregação bem fundamentada nas Escrituras, sem os floreios e intervenções do preconceito humano.

Observe que Apolo era aquele que ministrava os estudos da palavra aos irmãos em Éfeso antes da chegada de Paulo. Numa determinada ocasião em que Apolo estava viajando por Corinto e Paulo passou pela cidade de Éfeso, aconteceu o que lemos no parágrafo acima; mas, a única coisa que explica o porquê daqueles irmãos estarem vivendo aquela experiência cristã parcial, limitada, incompleta é que o seu pregador oficial, Apolo, muito provavelmente não entendia muito sobre Batismo no Espírito Santo. E é exatamente isso o que as Escrituras confirmam, observe versículos anteriores ao acontecimento registrado no capítulo 19: “Nesse meio tempo, chegou a Éfeso um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo, homem eloquente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor; e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João. Ele, pois, começou a falar ousadamente na sinagoga. Ouvindo-o, porém, Priscila e Áqüila, tomaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus” (Atos 18.24-26). Os irmãos de Éfeso disseram a Paulo: “Fomos batizados no batismo de João” e “nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo” (Atos 19.3,2) porque o pregador a quem eles ouviam por mais que fosse “eloquente e poderoso nas Escrituras” conhecia apenas o batismo de João! Ninguém pode dar aquilo que não tem!

É uma tristeza ter que dizer isso, mas nós vemos a mesma história se repetir hoje em dia também. Muitos pregadores dos nossos dias também trazem consigo caraterísticas louváveis em seu “pedigree espiritual”. São homens eloquentes, poderosos nas Escrituras, instruídos no caminho do Senhor, fervorosos de espírito, falam e ensinam com precisão, mas não entendem o batismo no Espírito Santo! Meu conselho é: Tenhamos misericórdia destes irmãos pregadores e sejamos compassivos, pois eles são preciosos pregadores de Cristo, ainda que não entendam sobre o Batismo no Espírito. Por outro lado, devemos inspirar os cristãos, de forma geral, a serem como os irmãos de Éfeso que ousaram aprender um pouco mais pela influência de alguém como Paulo, que por sua vez sabia o que lhes ensinar a respeito do assunto, e como ajudá-los a receber o Espírito Santo.

Sim, é possível ensinar alguém o suficiente para que esta pessoa possa então receber o Espírito Santo! Em Atos 8 está escrito que muitos em Samaria deram ouvidos a Filipe, que os evangelizava, e iam sendo batizados, tanto homens como mulheres. De fato, espíritos imundos eram expulsos, paralíticos e coxos eram curados e houve grande alegria naquele cidade (Atos 8.12,7,8). Observe, porém, que a despeito desta maravilhosa experiência cristã, eles ainda não tinham sido batizados no Espírito Santo. Quando os apóstolos, que estavam em Jerusalém, ouviram que Samaria tinha recebido a Palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João para que orassem por eles para que recebessem o Espírito Santo! Por que isso? Porque o Espírito não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas SOMENTE HAVIAM SIDO BATIZADOS EM NOME DO SENHOR JESUS (Atos 8.14-16). Acredito que você percebe que poderíamos fazer inúmeros comentários pertinentes com as frases do texto bíblico citado, mas, para o propósito imediato do nosso argumento, quero apenas chamar sua atenção para o seguinte: Pedro e João viajaram de Jerusalém para Samaria para orar pelos irmãos para que eles recebessem o Espírito Santo! Se o Batismo no Espírito Santo, o recebimento do Espírito Santo, fosse uma experiência que estivesse completamente nas mãos de Deus, como julgam alguns, Pedro e João não teriam tomado tal iniciativa para que os irmãos recebessem por meio de sua ajuda e influência, certo? Assim como Paulo fez em Éfeso, Pedro e João fizeram pelos irmãos em Samaria.

Lembre-se daquilo que Paulo perguntou em Gálatas 3.2: “Recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?”. Esta é uma pergunta retórica. Paulo, os gálatas e nós, sabemos qual é a resposta! Os irmãos da Galácia, assim como qualquer outro irmão, jamais receberam o Espírito por praticarem as obras da lei e sim pela pregação da fé. Ou seja: existe uma pregação certa que produz a fé necessária no coração do ouvinte que o faz receber o Espírito Santo! Os irmãos de Éfeso não tinham sido batizados no Espírito Santo porque não tinham ouvido uma pregação que os ajudasse nesse assunto; mas, a partir do momento que Paulo lhes corrigiu esta doutrina com a sua pregação, eles foram cheios do Espírito Santo! Glória a Deus!

Como diz Gálatas 3.14: “É pela fé que recebemos o Espírito que fora prometido”, mas não podemos esquecer que a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus! Oremos por comunidades e ajuntamentos cristãos onde seja realmente pregada cada vez mais a verdadeira palavra de Deus.