A Constituição do Gênero Humano

No Salmo 33.9 diz que “Deus falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir”. Hebreus 11.3 diz que “nós entendemos que o universo foi formado pela Palavra de Deus”. Há muitos textos semelhantes que nos mostram que tudo que foi feito, foi feito por meio da Palavra de Deus (João 1.3).

Quando lemos em Gênesis os versículos que falam sobre algumas das coisas que Deus criou, é fácil observar que ele dava ordens com a sua palavra, e o que ele determinava, acontecia. A única exceção a esta regra foi o homem. A Bíblia ensina que Deus criou todas as coisas pelo poder da sua Palavra, com exceção do ser humano, pois “Deus formou ao homem do pó da terra, soprou em suas narinas e o homem passou a ser” Gênesis 2.7.

As Escrituras não ensinam que Deus disse “haja homem” e “assim se fez”. O homem foi criado de forma diferente. Pelo que lemos podemos dizer que o corpo do homem veio do pó da terra, seu espírito veio do sopro do próprio Deus e sua alma parece ser a consequência natural da união entre o espírito e o corpo. Em 1 Tessalonicenses 5.23 Paulo “estabelece” os termos para as partes que constituem a natureza humana: “espírito, alma e corpo”. Embora cada parte esteja intimamente ligada a outra, e o que acontece com uma afete diretamente as outras duas, a Bíblia parece ensinar que o espírito humano tem a preeminência em relação as demais. Afinal, as Escrituras ensinam que “Deus é espírito” e que o ser humano foi sido criado “à sua imagem e semelhança”; isto deve significar que o homem é um ser essencialmente espiritual. Jesus chegou a dizer que pelo fato de “Deus ser um espírito, é necessário que os homens o adorem também no espírito e na verdade” (João 4.24).

Quando Paulo disse aos cristãos que “as coisas antigas passaram e tudo se fez novo” (2 Coríntios 5.17) ele não quis dizer que todas as três partes que nos constituem eram totalmente novas em folha. Se eu tinha cabelo enrolado um dia antes de receber Jesus, eu continuo com o cabelo enrolado um dia depois de ter recebido Jesus. Se eu falava português um dia antes de receber Jesus, eu continuo falando português um dia depois de ter recebido Jesus. A verdade é que as coisas não mudam em meu corpo e não mudam em minha mente, mas a essência do meu ser, meu verdadeiro EU, fica diferente! Paulo disse que “se EU orar em outra língua, meu ESPÍRITO ora de fato, MAS A minha MENTE fica infrutífera” (1 Coríntios 14.14). O verdadeiro EU é o espírito humano, e, provavelmente, tenha sido a respeito desta parte que Paulo falou sobre ser uma “nova criação” em Cristo. Não que o espírito humano recriado seja perfeito, pois “ao nascer de novo” o crente é como uma “criança recém-nascida, que deve crescer através do genuíno leite da Palavra” (1 Pedro 2.2). Todavia, será este espírito recriado que terá a responsabilidade de fazer alguma coisa com sua alma e com seu corpo. Deus muda o espírito humano pela sua Palavra e a partir desta mesma Palavra o espírito humano administra corretamente o corpo e a mente.

Em Romanos 12.1,2 Paulo diz “Rogo-vos irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o VOSSO CORPO a Deus e não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da VOSSA MENTE”. Quando Paulo fala com os irmãos ele se dirige à “verdadeira pessoa”, “o verdadeiro EU”, e lhes pede que façam alguma coisa com o corpo e com a mente.

A vontade de Deus é que “nosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis até a vinda de nosso Senhor Jesus” (1 Tessalonicenses 5.23), e, no texto de Romanos, Paulo usa a Palavra grega “metamorpho” para dizer que devemos nos “transformar” como em uma “transfiguração”, de glória em glória, até que tenhamos a mesma imagem do Senhor Jesus (2 Coríntios 3.18, Mateus 17.2).