O Anticristo Não Dominará o Mundo Todo!

O anticristo mencionado na Bíblia é uma figura bem popular. Cristãos e não-cristãos reconhecem o assunto ainda que não o compreendam perfeitamente. Uma coisa certa é que ele vem, e assim como temos crido na volta de Jesus Cristo à terra, da mesma forma e com base na mesma palavra, devemos acreditar que o anticristo virá.

Em 1 João 4.3 está escrito que “todo que não confessa a Jesus, não é de Deus. Este é o espírito do anticristo, de cuja vinda tendes ouvido falar…”. Paulo escreveu aos tessalonicenses e disse que “costumava falar sobre esse assunto” com os irmãos enquanto esteve com eles pessoalmente (2 Tessalonicenses 2.5). João, no início da sua primeira carta, disse que os irmãos para os quais ele escrevia já “tinham ouvido que o anticristo viria” (1 João 2.18). Esses textos nos mostram que mensagens sobre a vinda do anticristo eram recorrentes na igreja. Talvez não tenhamos ouvido muitas mensagens sobre a vinda do anticristo atualmente, mas podemos ecoar a mesma verdade com toda convicção: ele vem!

Uma das passagens mais populares sobre o futuro império do Anticristo se encontra em Daniel capítulo dois. O texto fala sobre a interpretação feita por Daniel sobre o sonho de Nabucodonosor, que sonhara com uma estátua dividida em cinco partes representando uma sucessão de impérios, desde o babilônico até o último império humano sobre a Terra antes da volta de Jesus Cristo, que virá para estabelecer o seu reino milenar.

Ao longo do livro de Daniel três dos impérios são citados pelo nome: Babilônico, Medo-Persa e Grego, enquanto os dois últimos representados pelas pernas e pelos pés da estátua não são mencionados.

Ao interpretar o sonho Daniel diz ao rei: “Tu és a cabeça de ouro” (Daniel 2.38), ou seja, o primeiro império relacionado à estátua do sonho era o babilônico. Daniel ainda acrescenta o seguinte: “Depois de ti, se levantará outro reino, inferior ao teu” (Daniel 2.39), mencionando a segunda parte da estátua, que posteriormente vai ser explicado pelo próprio livro de Daniel que se tratava do império Medo-Persa, pois ao interpretar a misteriosa escritura da parede disse Daniel ao filho de Nabucodonosor: “Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas” (Daniel 5.28).

Posteriormente Daniel tem uma visão que lhe informará sobre a próxima sucessão de impérios humanos na terra. Ele conta que “viu um bode chegar perto dum carneiro, e, enfurecido contra ele, o feriu e lhe quebrou os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir; e o bode o lançou por terra e o pisou aos pés, e não houve quem pudesse livrar o carneiro do poder dele” (Daniel 8.7). Quando o anjo Gabriel foi lhe explicar do que se tratava, disse claramente: “Aquele carneiro com dois chifres, que viste, são os reis da Média e da Pérsia; mas o bode peludo é o rei da Grécia” (Daniel 8.20,21). O império Grego corresponde então à terceira parte da estátua. Entretanto a quarta parte da estátua e sua manifestação final, representada pelos pés, nunca foram mencionados pelo nome.

“Domínio sobre toda a terra”

Certamente há muito o que dizer sobre a vinda do anticristo e suas implicações para o mundo, mas aqui meu interesse é falar sobre o alcance do seu domínio no mundo segundo está previsto nas Escrituras. A grande maioria das pessoas acredita que o Anticristo dominará o mundo inteiro e que seu império regerá todas as nações em toda a superfície da Terra, mas não me parece que esta seja uma ideia realmente apoiada pelas Escrituras.

O fato é que todos os impérios representados pelas partes que compunham a estátua do sonho de Nabucodonosor, dominaram basicamente as mesmas regiões e nações do império antecessor. Sem entrar em muitos detalhes a respeito do assunto, o que estou querendo dizer é que o império do Anticristo, o último a vir segundo a ordem apresentada no sonho, será mais um dos impérios que dominará praticamente a mesma região do antigo império babilônico sob a regência de Nabucodonosor, que fora quem tivera o sonho que revelava tudo isso.

Se você fizer uma rápida pesquisa sobre cada um dos impérios mencionados nominalmente no livro de Daniel logo você observará que embora todos eles tenham dominado grande extensão de terra, nenhum deles dominou o mundo habitado de forma total e irrestrita. De fato, durante a existência de cada um dos impérios mencionados houve outros impérios existindo simultaneamente em outras partes do mundo. Além disso, várias regiões e nações ficaram de fora do domínio de cada um dos impérios citados: babilônico, medo-persa e grego. Nenhum destes impérios dominaram a Terra de forma absoluta. Tudo indica que o império do Anticristo, o último império humano que virá seguindo a ordem da estátua do sonho de Nabucodonosor, seguirá o mesmo padrão.

Talvez a razão de se pensar que o Anticristo dominará toda Terra se deva à leitura seletiva das Escrituras, sem a observação de outras passagens que complementem as declarações previamente conhecidas. Um dos textos que pode ter dado essa impressão se encontra em Apocalipse capítulo treze:

Apocalipse 13.7,8,16,17
7 Deu-se-lhe [à Besta] ainda autoridade sobre CADA TRIBO, POVO, LÍNGUA E NAÇÃO;
8 e adorá-la-ão TODOS OS QUE HABITAM SOBRE A TERRA, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.
16 A TODOS, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte,
17 para que NINGUÉM POSSA comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome

O texto acima levou alguns a crer que o Anticristo governará, literalmente, o mundo todo e fará com que todo homem sobre a terra receba um sinal ou seja morto. Mas o que alguns não consideraram é que toda linguagem humana faz uso de figuras que acrescentam sentidos específicos a certas declarações, inclusive a linguagem dos textos bíblicos. Por causa de outros textos que demonstram claramente que o império do Anticristo não será mundial, tudo indica que a ideia do termo “todos” nesta passagem se apresenta como uma figura de linguagem conhecida por sinédoque, em que o todo é usado para representar uma parte. Se eu dissesse “todas as pessoas do Brasil choraram naquele dia”, obviamente que eu não estaria querendo dizer que cada pessoa sem exceção havia chorado, mas que uma parte dos brasileiros choraram.

Uma expressão semelhante à de Apocalipse 13 é usada em Daniel para falar a respeito do governo de Nabucodonosor, embora, como já saibamos, o império babilônico não tenha se estendido sobre todos os homens da face da terra:

Daniel 5.18, 19
18 Ó rei! Deus, o Altíssimo, deu a Nabucodonosor, teu pai, o reino e grandeza, glória e majestade.
19 Por causa da grandeza que lhe deu, POVOS, NAÇÕES E HOMENS DE TODAS AS LÍNGUAS tremiam e temiam diante dele; matava a quem queria e a quem queria deixava com vida; a quem queria exaltava e a quem queria abatia.

A mesma ideia de generalização, mas com sentido limitado, aparece em vários outros lugares das Escrituras. Alguns exemplos podem ser citados:

Gênesis 6.7
Disse o Senhor: Farei DESAPARECER DA FACE DA TERRA O HOMEM que criei, o homem e o animal, os répteis e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito.

Colossenses 1.23
Se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado A TODA CRIATURA DEBAIXO DO CÉU, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.

Mateus 3.5
Então, saíam a ter com ele Jerusalém, TODA A JUDÉIA E TODA A CIRCUNVIZINHANÇA do Jordão;

Expressões semelhantes às usadas em Apocalipse 13 foram usadas para referir-se a outros governantes e reinos que não governaram literalmente o mundo todo. Diz-se de Nabucodonosor “onde quer que habitem os filhos dos homens […] fez que reinasse sobre todos eles” (Daniel 2.38) e “o teu domínio [Nabucodonosor] até a extremidade da terra” (Daniel 4.22). Sobre o império Grego foi dito que “teria domínio sobre toda a terra” (Daniel 2.39). Pelo que sabemos da História nenhum destes reinos governou o mundo todo.

A verdade é que assim como todos os reinos que antecederam o derradeiro império humano na Terra, o Anticristo também terá domínio sobre vasta extensão de terra, mas não controlará todas as nações do mundo. Em Apocalipse 17.12,13 fica claro que o seu domínio se limitará inicialmente aos dez reinos, com os quais terá aliança no início do seu governo. Nenhum país fora do império do Anticristo será governado por ele e nenhum sinal da besta será imposto a homem algum fora do seu domínio.

As Escrituras parecem dizer que ele fará aliança com “muitos” e não apenas com Israel (Daniel 9.27). A Bíblia também diz que ele “entrará na terra gloriosa, e muitos sucumbirão, mas do seu poder escaparão estes: Edom, Moabe e as primícias dos filhos de Amon. Estenderá a mão também contra as terras, e a terra do Egito não escapará. Os Líbios e os Etíopes o seguirão” (Daniel 11.41-43). Observe que o Anticristo estenderá o alcance do seu domínio entrando em algumas nações, mas nem todas as nações sucumbirão à sua influência. Ainda em Daniel, está escrito que o Anticristo se perturbará pelos rumores vindos do Norte e do Leste, provavelmente rumores de oposição ao seu domínio (Daniel 11.44). Em Apocalipse 16.13-16 a Bíblia fala sobre três espíritos imundos semelhantes a rãs que operam milagres por meio de embaixadores, procurando, assim, a cooperação de muitas nações para ajudar o Anticristo a ir contra Jesus Cristo no Armagedom. Essas nações não terão sido conquistadas por ele nem estarão sob seu governo, do contrário, não se procuraria convencê-las a ajudá-lo. Se ele as governasse e elas estivessem sob seu controle, tais ministérios de demônios não seriam necessários. Observe também que aqueles que adorarão a besta dirão: “Quem é semelhante à besta? Quem pode pelejar contra ela?” (Apocalipse 13.4). Se não houvesse nações que não lhe estivessem sujeitas, seria totalmente sem sentido levantar a pergunta sobre quem poderia lutar contra ela, certo?

Além disso, em Apocalipse 14.9-11 afirma-se que todo aquele que receber o sinal da besta será enviado para o inferno, sem exceção. Se, como alguns ensinam hoje, o Anticristo matar todo aquele que não receber o sinal da besta (pois supostamente seu domínio seria sobre todos os homens) e os que receberem o sinal irão para o inferno, resta perguntar: Se Deus vai matar quem receber o sinal e o Anticristo vai matar quem não receber, quem habitará a terra durante o milênio?

Está escrito no livro de Daniel sobre o fim do império da besta, mas também diz que até esse dia haverá guerra (Daniel 9.26). Ora, um rei com autoridade absoluta e universal não estaria em guerra. A presença das guerras estabelece o fato de que o Anticristo não controlará todas as nações, ao contrário disso demonstra que existirão governos que o resistirão.

Além disso, o império do Anticristo será um reino divido, como já previsto em diversas passagens das Escrituras, por isso, além das guerras contra outros povos, haverá guerras internas em andamento. Observe os textos a seguir:

Daniel 2.41
Quanto ao que viste dos pés e dos artelhos, em parte, de barro de oleiro e, em parte, de ferro, SERÁ UM REINO DIVIDIDO…

 Ezequiel 38.21
Chamarei contra Gogue a espada em todos os meus montes, diz o Senhor Deus; A ESPADA DE CADA UM SE VOLTARÁ CONTRA O SEU PRÓXIMO…

 Zacarias 14.12,13
12 Esta será a praga com que o Senhor ferirá a todos os povos que guerrearem contra Jerusalém: a sua carne se apodrecerá, estando eles de pé, apodrecer-se-lhes-ão os olhos nas suas órbitas, e lhes apodrecerá a língua na boca.
13 Naquele dia, também haverá da parte do Senhor GRANDE CONFUSÃO ENTRE ELES; CADA UM AGARRARÁ A MÃO DO SEU PRÓXIMO, CADA UM LEVANTARÁ A MÃO CONTRA O SEU PRÓXIMO…

O Anticristo não trará a paz, trará a guerra. A única paz que ele oferecerá, será circunstancial e momentânea, por meio do embuste e do engano, mas sua principal característica é a desolação e a destruição. No entanto, nem todas as nações estarão a seu favor, nem todos o apoiarão e, o seu fim, já está determinado.