Por que Deus escolheu Abraão, o povo de Israel e outros homens na história do Antigo Testamento?

PERGUNTA:

Seria Deus injusto ao escolher Israel e não as outras nações? Quem chamou Abraão? Quem chamou Moisés? Quem chamou Samuel? Quem escolheu Davi?

RESPOSTA:

Vejo que não estás longe do reino de Deus, jovem escriba! Se continuares por esse caminho, finalmente entenderás qual o significado bíblico da eleição, que, diferentemente da loucura calvinista, ensina a escolha de homens ou nações para desempenharem um papel ou função em prol de toda a humanidade. Israel, um país menor que o estado de Sergipe, é o tema central de todo o Antigo Testamento, e tudo isso porque Deus, que quis que a “salvação viesse dos judeus” (João 4.22), deixou tudo isso registrado para o nosso proveito. Assim, estudar o Antigo Testamento é estudar sobre Israel, que é o mesmo de estudar o plano de Deus para a salvação de todos os homens; pois, “Deus quer que todos os homens sejam salvos” (1 Timóteo 2.4). Abraão, pai dos verdadeiros israelitas, também foi escolhido por Deus para que nele “fossem benditas todas as nações da terra”. Todos os líderes, reis e profetas do Antigo Testamento foram escolhidos para cumprir, cada um, sua própria missão, no sentido de ratificar a bondade de Deus em favor de todos os homens. Porém, o erro de Agostinho, Calvino, e de outros, é supor que textos como Romanos 9 estejam falando sobre Deus escolher ou determinar quais seriam as “pessoas a quem ele decidiu arbitrariamente salvar” e os que ele “decidiu por sua soberana vontade destinar à danação eterna”; coisa sobre a qual Romano 9 nunca teve a intenção de tratar. Até porque, os próprios exemplos de “rejeição” usados por Paulo em Romanos 9, que são Ismael e Esaú, serviram a Deus em suas épocas e nada há na Bíblia que diga que eles tenham “perdido sua salvação” ou que “não tenham sido salvos”, a despeito dos erros que tenham cometido, conforme registrado na Bíblia. Até mesmo o fato de Esaú ter perdido a bênção familiar, que era um direito seu por sua primogenitura, não significa que ele tenha sido “lançado no inferno” por causa disso.

Romanos 9 não está falando sobre Deus criar pessoas para serem lançadas no inferno ou sobre ele criar outras para serem salvas compulsoriamente. O texto está falando sobre os critérios divinos para a sua aprovação ou rejeição, e visa explicar aos judeus que, mesmo fazendo eles parte do “povo eleito”, isso não significa que estavam predestinados a serem salvos por causa disso. Para convencer a qualquer judeu desavisado que não existe esse negócio de “predestinação para salvação”, Paulo usa exemplos de dois homens que deveriam ter tido o direito de primogenitura, mas foram rejeitados porque Deus tem padrões que precisam ser preenchidos para que ele seja agradado. Há coisas que ele gosta e coisas que ele não gosta, e, exatamente por isso, ele abençoa os que ele quer e não aqueles que querem. Assim como o simples fato de ser um primogênito não garantiu a benção sobre Ismael e Esaú, Paulo está querendo demonstrar que o simples fato de serem judeus, isso não os fará automaticamente aprovados ou abençoados por Deus.

Mesmo depois de demonstrar em Romanos 9 que Deus não predestinou os judeus para serem salvos incondicionalmente, ainda que fossem parte do povo eleito, no capítulo seguinte, ele desabafa dizendo que “sua oração a Deus em favor deles é para que sejam salvos” (Romanos 10.1). Paulo está tentando explicar que o problema destes judeus que se achavam predestinados à glória, era que eles “não entendendo a justiça de Deus, insistiam em tentar estabelecer a sua própria” (Romanos 10.3). Apesar de tudo isso, Paulo ainda afirma que embora estes judeus, sobre os quais ele vêm falando, tenham sido privados da bênção por causa da sua própria incredulidade (Romanos 11.20), se eles não permanecessem com esta atitude, seriam inseridos novamente no contexto da bênção, pois Deus é poderoso para os enxertar de novo (Romanos 11.23).