PERGUNTA:

Em Atos 21.4 o Espírito Santo recomendou a Paulo que não voltasse a Jerusalém. Minha pergunta é: Por quê ele desobedeceu?

RESPOSTA:

Na verdade, Paulo sabia o que deveria fazer em sua caminhada ministerial pelas instruções que o Espírito Santo trazia ao seu coração. Ele não precisava de orientações de terceiros. O texto específico em questão pode não ter ficado muito claro nas versões que usamos; mas, há textos suficientes, relacionados ao assunto, que nos ajudam a entender o que aconteceu ali.

O texto está relatando que alguns dos irmãos pediram a Paulo que não fosse a Jerusalém, e diz também que pediram isso por estarem “movidos em espírito”. Algumas versões até imprimem a palavra Espírito com “e” maiúsculo, querendo com isso dizer que teria sido o Espírito Santo que os “mandou” dizer a Paulo que não fosse para Jerusalém. Na verdade, ainda que admitíssemos que teria sido o Espírito Santo que “tivesse comunicado alguma coisa ao coração deles”,  o texto não diz que o “Espírito Santo os moveu a falar a Paulo que não fosse a Jerusalém”. O texto simplesmente diz que eles, “tocados pelo Espírito”, teriam dito a Paulo que não fosse. Ou seja, mesmo supondo que o texto esteja falando do Espírito Santo e não do próprio espírito deles, o texto não diz que o Espírito Santo os mandou falar a Paulo que não viajasse, e sim que eles, tocados, movidos, acabaram dizendo isso que ficou registrado. Muitas vezes crentes em oração acabam percebendo coisas no mundo espiritual, sobre as quais, não tem qualquer informação, e, se não forem prudentes, acabam se precipitando falando ou fazendo o que não devem com base em tais percepções. Se a percepção daqueles irmãos foi pelo seu próprio espírito ou pelo Espírito Santo, não vem muito ao caso. O mais importante ali era que os irmãos não interpretassem tal percepção de forma indevida ou inconveniente. Deus nunca mandou os irmãos dizerem a Paulo que não fosse a Jerusalém, mas a impressão que temos é que eles acabaram mesmo pedindo a Paulo para não ir.

Sabemos inequivocamente que o Espírito Santo não os mandou dizer aquilo a Paulo, pois outras passagens mostram Paulo recebendo orientação do Espírito Santo e do Senhor Jesus sobre essa viagem para Jerusalém.

Em Atos 20.22 Paulo disse que ia para Jerusalém por causa de uma “contrição espiritual”. Em algumas das nossas versões, a expressão ficou: “constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém”. O que é basicamente a mesma coisa de Atos 19.21, que diz que “Paulo resolveu em seu espírito ir a Jerusalém”. No próprio texto de Atos 20.23 Paulo disse que “o Espírito Santo lhe assegurava que cadeias e tribulações o esperavam de cidade em cidade”, o que incluía perseguições na cidade de Jerusalém também. De fato, o Profeta Ágabo disse exatamente isso:

“Assim os judeus, em Jerusalém, farão ao dono deste sinto e o entregarão nas mãos dos gentios” (Atos 21.11).

Se o profeta estava falando que ele seria preso em Jerusalém, então, ele teria que ir para Jerusalém, certo? Por isso que, posteriormente, em Atos 23.11, quando Jesus apareceu a Paulo ele lhe disse “Do modo por que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma”. Veja que Jesus confirmou que Paulo fez bem em ir para Jerusalém e diz que ele deve fazer outra viagem, agora para Roma.

O fato é que aqueles irmãos podem até ter sentido em seus corações que Paulo enfrentaria alguma situação ruim em Jerusalém, e, por isso, acabaram se precipitando em dizer a Paulo para não viajar para lá. Porém, Deus não os mandou dizer a Paulo que ele não deveria fazer a viagem. Esse é o problema às vezes: os crentes sentem coisas em seus corações quando oram por alguém, mas tentam se meter nas decisões que só a pessoa sabe que deve tomar. Embora eles até possam ter sido movidos pelo Espírito Santo e por isso falaram aquilo, outros textos da Bíblia mostram que o Espírito Santo não os moveu PARA DIZER aquilo!