Será que existe?

No meio evangélico é comum se dizer que não existe “pecadinho e pecadão, pois tudo é pecado diante de Deus”, mas esta não é uma completa verdade à luz das Escrituras. João diz que mesmo que toda injustiça seja pecado, ainda assim existem pecados que não são para a morte daquele que o pratica (1 João 5.17 ). Isto por si só já revela uma distinção entre um pecado e outro.

Além disso, João acrescenta que se um irmão cometer um pecado que não é para a morte, outro poderá orar por ele e Deus lhe concederá vida; por outro lado, se o pecado do irmão for para a morte, João aconselha a não orar por ele (1 João 5.16 ).

Paulo disse que “qualquer outro” pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo, mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo (1 Coríntios 6.18 ). Isso também faz uma distinção entre alguns pecados, não faz?

Em certa ocasião Jesus disse a Pilatos que quem o havia entregado a ele tinha cometido um pecado maior que o seu (João 19.11). Em passagens do Antigo Testamento encontramos expressões que fazem alusão à ideia de “pecado grande” (Êxodo 32.30, 1 Samuel 2.17).

Jesus disse que todo pecado será perdoado aos homens, mas o pecado da blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoado, nem neste mundo, nem no porvir (Mateus 12.31,32 ).

Ou seja, em relação aos diversos pecados com os quais teremos que lidar, a Bíblia ensina que por uns podemos orar, mas por outros não. Ensina que alguns pecados não são para morte, mas outros são. Diz também que tem pecados que são contra o corpo, mas nem todos são. Ensina que alguns pecados serão perdoados, mas nem todos serão. Ensina ainda que há pecado que não será perdoado nem neste mundo, nem no porvir. Ora, tudo isto torna evidente que há certa classificação em relação à gravidade dos pecados que podem ser cometidos.

É provável que Deus trate os pecados espirituais com mais severidade do que os pecados carnais. João diz que todo aquele que odeia a seu irmão é assassino e que um assassino não tem a vida eterna permanente em si. Um motorista que atropela e mata um motociclista que atravessa irresponsavelmente um sinal vermelho não pode ser considerado assassino. Por outro lado, um irmão que odeia outro pode ser considerado como tal (1 João 3.15 ). Eu sei que às vezes não pensamos desta forma, mas pecados, como mágoa, sentimento de vingança, ódio, falta de perdão e coisas semelhantes, à luz das Escrituras tem um peso maior do que imaginamos. Se o amor é o maior mandamento, o contrário disso deve estar entre os piores pecados.

2 CORÍNTIOS 7.10
Porque A TRISTEZA segundo Deus PRODUZ arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte.

TIAGO 4.7-10
Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. AFLIGI-VOS, LAMENTAI E CHORAI. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará.

Sabemos que cada pecado praticado sempre abre espaço para outros pecados serem cometidos posteriormente. É raro alguém dar lugar ao pecado em sua vida em determinada área sem que aquilo afete alguma outra área também. Por isso em muitas situações de arrependimento a compulsão que leva o cristão a se arrepender pode causar uma mudança que afetará mais áreas de sua vida do que se poderia esperar.

De fato, tudo isto nos mostra que o tipo de procedimento pecaminoso do cristão determinará o grau de tristeza e arrependimento que ele terá quando finalmente for confrontado com a verdade e perceber que precisará reorganizar sua vida.

Por exemplo: se um cristão perde o controle no trânsito e pratica alguma carnalidade, no primeiro momento em que ele se conscientizar da besteira que fez, se entristecerá, se arrependerá e reassumirá sua postura de filho de Deus. No entanto, acredito que todos compreendam que o arrependimento para alguém nesta situação não envolva o mesmo GRAU DE QUEBRANTAMENTO pelo qual passará alguém envolvido em adultério.

Assim, pecados mais “leves” também serão vencidos por meio do arrependimento, e o pesar do coração neste processo será proporcional ao pecado cometido. Todavia, quando o pecado envolve questões de maior gravidade ou quando o pecado se torna um procedimento regular na vida do cristão, o arrependimento envolverá NÍVEIS MAIORES DE COMOÇÃO.