Jesus não subiu ao céu antes de haver ressuscitado no terceiro dia. Quando ele morreu, ele “desceu às regiões inferiores à terra” e esteve “no ventre da terra por três dias e três noites”. Logicamente que aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, mas não antes do que estava previsto nas Escrituras. Seu corpo ficou no sepulcro e seu espírito na região dos mortos, no hades. Jesus estava morto e dependia de Deus para trazê-lo de volta à vida, e isto não apenas no sentido de que seu corpo fosse ressuscitado, mas também no sentido de que ele mesmo fosse tirado da região dos mortos. O espírito de profecia já havia dito pela boca de Davi que Deus “não o deixaria no hades, nem permitiria que seu corpo visse a deterioração”, por isso antes de deixar o corpo Jesus afirmou sua confiança em Deus dizendo “nas tuas mãos eu entrego meu espírito”, e, de fato, no terceiro dia, Deus o ressuscitou, e por isso ele “não foi deixado no hades, nem seu corpo experimentou a deterioração” (Atos 2.22-32). Observe os dois aspectos da ressurreição de Jesus: Nem sua alma foi abandonada no hades, nem seu corpo esquecido na sepultura. Jesus não subiu ao céu quando morreu na cruz. Jesus não foi ao céu quando seu corpo foi baixado à sepultura. Jesus só subiu ao céu no terceiro dia, quando finalmente foi ressuscitado. Seria impossível Jesus estar no mesmo dia no paraíso antes de cumprir tudo que estava previsto. Ele iria subir acima de todos os céus, mas não antes de descer e ficar no coração da terra por três dias e três noites. Lembre-se que as Escrituras ensinam que “aquele que subiu é o mesmo que antes desceu”. E quando digo que “Jesus desceu”, não me refiro “ao corpo dele”, pois o corpo ficou no túmulo, ao passo que Jesus foi para o hades. Por isso, logo ao ressuscitar ele disse à Maria: “ainda não subi”.

Alguém poderia se perguntar sobre o texto de Lucas 23.43, onde, aparentemente, Jesus teria afirmado que iria para o céu no mesmo dia. Embora alguns possam questionar se “paraíso” pode ou não pode ser compreendido como “o céu”, me parece que Paulo não tinha dúvidas quanto a isso, pois usou os dois termos de forma intercambiável em 2Coríntios 12.2-4. Alguns também costumam afirmar que o paraíso era embaixo da terra e era um tipo de “cativeiro”, mas que, após a ressurreição, Jesus teria levado esse “paraíso” para cima, “para o céu”. Eu sempre acho mais fácil pensar que o paraíso sempre foi para cima. Embora isso não impeça em nada que Jesus possa mesmo ter levado os santos do Antigo Testamento para lá após a sua ressurreição. Só não acho que ele levou o paraíso para o céu, e sim, que, mais provavelmente, ele tenha levado os santos que aguardavam a redenção, para o paraíso. Voltando à Lucas 23.43, este versículo teria sido melhor colocado em nosso idioma com as notações léxicas em lugares diferentes das que estão. Pois, Jesus, muito provavelmente, não estava dizendo o que a construção do versículo em nossos idiomas fez parecer. É improvável que ele estivesse dizendo que “naquele mesmo dia estaria com o ladrão no paraíso”, pois muitos outros textos bíblicos sobre o mesmo assunto se harmonizam bem melhor quando se considera que Jesus estava simplesmente dizendo ao ladrão que “estaria com ele no paraíso”, mas não necessariamente no instante seguinte, ou, “no mesmo dia”. O texto grego original não tinha vírgulas, ponto e vírgulas, dois pontos, etc. e a construção do versículo em nossas Bíblias é uma tentativa de interpretação do texto no melhor esforço dos eruditos, mas parece não retratar corretamente a realidade do que foi dito por Jesus na ocasião. Em outras palavras, se tradutores e editores do texto para o nosso idioma conhecessem melhor a doutrina do Novo Testamento sobre a morte e ressurreição de Jesus, eles teriam colocado as pontuações em lugares melhores. Em vez de “Jesus lhe respondeu: Eu lhe garanto: hoje você estará comigo no paraíso” o texto poderia ter sido vertido para as nossas Bíblias da seguinte forma: “Jesus lhe respondeu: Eu lhe garanto hoje: você estará comigo no paraíso”. Isso não significa que Jesus, o ladrão ou outros justos fisicamente mortos tenham ficado “dormindo” após a morte e que somente num dia muito distante no futuro eles experimentariam o paraíso, pois não existe o tal “sono da alma”. O que existe é o “sono do corpo”, que é um eufemismo para a morte física. Todos os mortos estão lúcidos, acordados e conscientes. Apenas três dias depois Jesus ressuscitou, e, todos os santos que aguardavam a redenção, foram igualmente aperfeiçoados e finalmente obtiveram a concretização da promessa (Hb 11.39; Hb 12.23) e assim, entraram no paraíso juntamente com o Senhor, onde estão agora até o dia da ressurreição dos seus corpos.

No entanto, alguns que insistem na interpretação mais popular se apegam muito à palavra “hoje” usada por Jesus ao se dirigir àquele ladrão. Acham que, talvez, Jesus não teria enfatizado “aquele dia em especial” se isso não tivesse alguma relevância. De fato, o pensamento está correto, mas a interpretação da maioria me parece equivocada. Jesus não parecia querer enfatizar que “naquele mesmo dia” o ladrão estaria no paraíso, e sim que “mesmo naquele dia”, Jesus poderia lhe garantir o paraíso. Ou seja, faz todo o sentido Jesus dizer isso exatamente no dia da morte de um homem que passou a vida inteira fazendo o mal, mas que antes da morte, em seu último dia, se arrepende e clama por misericórdia. Quando o homem diz: “Senhor, lembra-te de mim”, nada melhor do que responder: “É, na verdade, hoje eu posso te dizer: tu estarás no paraíso comigo”. Um dia antes, talvez, Jesus não pudesse fazer a mesma declaração que agora estava sendo possível, pois, mesmo no hora da morte, o arrependimento garantia ao ladrão a vida eterna. Em outras palavras, Jesus parecia estar afirmando ao ladrão arrependido: “Finalmente, hoje eu posso te dizer: tu estarás no paraíso”.

O paraíso e a comunhão com Deus no céu após a morte, é uma certeza que todos nós podemos ter. Assim como Jesus morreu e ressuscitou, todos nós, hoje, também temos vida, e, após a morte, iremos para o céu, onde já se encontra Jesus, o nosso precursor, que nos abriu o caminho e vive hoje para interceder por nós.

@CanalNatanRufino