Bom gente, abaixo segue uma tradução que fiz de um artigo do irmão Tony Cooke. Ele é dedicado a todos os meus amigos que não sabem o que fazer a respeito dos absurdos que tem ouvido sobre a “graça” recentemente. Sinto muito por não responder a todas as perguntas dos que estão confusos com os desequilíbrios que estão sendo ensinados, mas desejo sinceramente que este texto acrescente mais luz a respeito do assunto, afugentando assim da mente dos irmãos todo engano e embaraço doutrinário que as palavras podem trazer.

Se você tem algum amigo que está confuso com as mensagens sobre graça que tem surgido em nossos dias, procure ajudá-lo compartilhando os textos do irmão Tony Cooke, que além de especialista nesse assunto, tem uma abordagem equilibrada e responsável a respeito do tema. Que Deus preserve a mente e o coração dos nossos irmãos para que não sejam levados pelo engano daquilo que apenas parece certo.

Um abraço a todos os amigos distantes.

TRÊS QUESTÕES SOBRE CONFISSÃO E PERDÃO – PARTE 1
Traduzido de um Texto originalmente escrito por Tony Cooke

Eu sou tão grato por 1 João 1.9 (e todo o resto de primeira João) que diz: ”Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Para mim, este versículo é maravilhosamente libertador e uma fonte de alegria. É difícil imaginar que alguns cristãos queiram reinterpretar esse versículo e força-lo a se aplicar aos incrédulos. Quero compartilhar um pensamento que talvez ajude a entender o porquê alguns estejam enfrentando dificuldades com esta passagem e assim queiram relegá-la para os incrédulos.

Satanás é chamado de “o acusador dos nossos irmãos, que estava diante de Deus para acusá-los dia e noite (Apocalipse 12.10, NTLH). Eu creio que muitos cristãos, especialmente os mais novos, tem sido presas de uma estratégia insidiosa do inimigo… aquele que “está ao redor como um leão que ruge procurando a quem possa devorar” (1 Pedro 5.8 ). também sabemos que ele é um enganador astuto que quer corromper nossas mentes da simplicidade que está em Cristo (2 Coríntios 11.4). Eis o que eu creio que tenha acontecido algumas vezes:

  1. Um cristão jovem e sincero quer fazer aquilo que é correto e agradar a Deus.
  2. Várias tentações vem sobre ele e ele se sente culpado por causa das tentações que ele experimenta. Ele pode chegar a pensar: “Se eu fosse realmente um cristão eu não teria tido aquele pensamento”. O irônico disso é que a pessoa talvez nem tenha pecado realmente. Apenas um pensamento ruim veio até ele. Ele não chegou a receber aquele pensamento, ou se envolver, ou agir com base nele. Mesmo assim, ele se sente condenado pelo simples fato do pensamento ter vindo até sua mente.
  3. O jovem cristão ouviu sobre 1 João 1.9, então ele confessa seu “pecado” a Deus (muito embora ele sequer tenha de fato cometido algum pecado). O inimigo repete o ataque, e o cristão entra num círculo vicioso de tentação – vergonha – confissão, tentação – vergonha – confissão, indiscriminadamente.
  4. Alguns cristãos neste ponto ficarão atormentados e obcecados com sua culpa. Eles estão tentando se arrepender quando o que eles realmente precisam fazer é resistir (e saber quem somos e o que temos em Cristo é essencial para fazer isso!); mas alguns erroneamente rotulam a tentação diabólica como “seu pecado pessoal”. Eles precisam resistir a essa falsa culpa e pararem de agonizar sobre um pecado que eles nem sequer cometeram. O problema nesse caso nunca esteve relacionado à confissão, mas estava relacionado a uma fraude.

Você percebe com o inimigo pode tirar vantagem de um cristão imaturo? Um cristão pode ficar demasiadamente obcecado com a culpa, e por causa deste engano não perceber esta clara verdade das Escrituras: Ser tentado não é pecado!

Pense sobre isso por um minuto, porque isto tem feito muitas, muitas pessoas tropeçarem. Hebreus 4.15 nos diz que Jesus “foi tentado em todas as coisas como nós, porém sem pecado”. Jesus se deparou com a tentação, mas Jesus nunca participou da tentação. Deixe-me repetir, simplesmente ser tentado não pecado, e de acordo com 1 Coríntios 10.13, a tentação é “coisa humana”.

Qual é a atitude de Jesus para conosco quando estamos sendo tentados? Ele nos condena? Ele fica desapontado e desgostoso conosco? Ele deseja que mergulhemos na culpa, na vergonha e na condenação? Não! Hebreus 2.18 diz que “naquilo que ele mesmo sofreu, ao ser tentado, ele é poderoso para socorrer os que são tentados”. Quando você é tentado, Jesus está presente para lhe socorrer, não para lhe condenar. Não permita que a tentação defina quem você é, deixe que Cristo defina você!

Considere o que Jesus disse aos seus discípulos: “vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mateus 26.41). Observe que Jesus não disse “vigiai e orai para que vocês não sejam tentados”. Estar espiritualmente alerta e manter uma comunhão vibrante com Deus não significa que você não será tentado, mas evitará que você entre na tentação. Uma coisa é enfrentar uma tentação. Outra coisa totalmente diferente é se entregar, cooperar, participar na tentação. O primeiro caso não é pecado, mas o segundo é.

Você lembra desta frase: “você não pode evitar que pássaros voem sobre a sua cabeça, mas você evitar que eles façam ninho em seus cabelos”? Há uma grande verdade nesta declaração.

Se você enfrenta tentação, resista! Se um pensamento ou imaginação vem à sua mente, expulse-o, e volte sua atenção para Jesus, seguindo o conselho de Paulo em Filipenses 4.8: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”.

Contudo, mesmo que tenhamos nos envolvido nos pensamentos ou participado no pecado, Deus ainda tem boas novas para nós. 1 João 2.1, que reflete a continuação de um pensamento a respeito do qual ele escrevera antes (lembre-se que a Bíblia não fora escrita em capítulos e versículos), diz o seguinte: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”. Sobre o que João estava falando quando disse “estas coisas vos escrevo?”. Ele fazia referência a tudo que já tinha dito (incluindo 1 João 1.9) e a tudo que ainda iria dizer.

A primeira epístola de João não fora escrita para um público misto de pessoas, mas fora escrita diretamente aos crentes, de forma geral. João reconhece crentes em diferentes níveis de crescimento (ele identifica crianças, jovens e pais no sentido espiritual), mas quando ele se refere àqueles fora da fé (incluindo falsos mestres e aqueles que tinham crenças falsas) ele claramente se refere a eles na terceira pessoa (eles). João se dirige aos seus “filhinhos” (crentes) repetidamente, mas ele nunca se dirige a um grupo fora da igreja como destinatários da sua carta. É terrivelmente imprudente presumir que se pode inserir um suposto público (gnósticos ou outros) na epístola de João, povo a respeito do qual ele mesmo nunca identificou como destinatários da carta.

Desta forma, voltamos para a pergunta: Por que algumas pessoas iriam querer que 1 João 1.9 não se aplicasse a crentes? Uma possibilidade poderia ser o que tratei em parágrafos anteriores. Alguns tendo sido enganados, ficaram obcecados e compulsivos nesse negócio de confessar “pecados” (muito embora, talvez, não tivesse passado de uma tentação). Eles entraram em um círculo vicioso e atormentador de confessar e reconfessar “pecados” um atrás do outro e, obviamente, decidiram que esse negócio de “confessar pecados” não estava trazendo vitória para eles. Como resultado, raciocinaram que confessar os pecados deveria ser a razão ou parte do problema, assim, BASEADOS EM SUAS EXPERIÊNCIAS NEGATIVAS, decidiram que aquilo não deveria ser para crentes. Resumindo, rejeitaram a verdade da confissão porque passaram por uma falsificação enganosa.

Isto pode ser comparado com uma pessoa que ouviu dizer que aspirina poderia ajuda-la com uma dor de cabeça, mas em vez de seguir as instruções e usar a aspirina apropriadamente, ela começa a bater em sua própria cabeça com o vidro dos comprimidos. Depois de certo tempo, ela “percebe” que a aspirina não está resolvendo o seu problema, e na verdade, está deixa-o ainda pior.

Primeira João 1.9 é um convite glorioso a todos nós, para quando houvermos falhado “nos achegarmos confiadamente ao trono da graça, para que alcancemos misericórdia e achemos graça para socorro em tempo de necessidade” (Hebreus 4.16). A opção número 1 é que talvez não tenhamos cometido pecado para começo de conversa, mas a opção número 2 é que Jesus continua sendo nosso Advogado! Ele é por nós, e não contra nós! Podemos nos achegar a ele, ser honestos com ele, e em fé reconhecer – não apenas nossos fracassos – mas também sua grande misericórdia e bondade. Nós agimos com base em 1 João 1.9 da mesma forma que agimos em qualquer outra passagem das Escrituras: Em fé!

Quando confessamos um pecado não estamos rastejando diante de Deus ou nos chafurdando em meio ao pecado. Não estamos tentando “merecer” o perdão, e não estamos em dúvida se ele ainda nos ama ou se nos dará uma segunda chance. Não! Nós achegamos em fé àquele que nos fez a promessa da purificação da injustiça, e assim recebemos para nossas vidas uma aplicação novinha em folha do maravilhoso perdão que por nós foi adquirido há 2.000 anos atrás quando ele derramou seu sangue precioso por nós.

Então qual a razão de confessar os pecados que cometemos? A palavra “confissão” significa reconhecer, admitir ou “dizer a mesma coisa”. Ora, faz total sentido, biblicamente e de qualquer outra forma, quando nós erramos sermos honestos com Deus, reconhecermos nosso passo em falso, e concordarmos com Deus sobre a questão.

Max Lucado escreveu: “A confissão não é contar para Deus o que ele não sabe. Isto é impossível. Confissão não é reclamação. Se eu apenas recitar meus problemas e repassar as minhas desgraças, eu estarei apenas choramingando. Confissão não é culpar os outros. Apontar o dedo para os outros sem apontar dedo algum para mim mesmo, pode fazer com que eu me sinta bem, mas isso não promoverá a cura. A confissão é muito mais que isso. A confissão é uma confiança radical na graça. Uma proclamação de nossa confiança na bondade de Deus . ‘O que eu fiz foi errado’, nós reconhecemos, ‘mas a tua graça é maior que o meu pecado, por isso eu o confesso’. Se nossa compreensão da graça é pequena, nossa confissão também será pequena: relutante, hesitante, coberta de desculpas e justificativas, cheia do medo da punição. Mas uma grande compreensão da graça gera uma confissão honesta”.

Quando crentes em Éfeso experimentaram a beleza da graça de Deus, eles confessaram (reconheceram e admitiram) que seu comportamento houvera sido errado e fizeram um rompimento claro das práticas antigas. Atos 19.18,19 (NTLH): “Então muitos dos que creram vinham e confessavam publicamente as coisas más que haviam feito. E muitos daqueles que praticavam feitiçaria ajuntaram os seus livros e os trouxeram para queimar diante de todos”. Para aqueles crentes, a confissão e o arrependimento andavam de mãos dadas.

Houve um tempo em que os coríntios não estavam apenas sendo tentados a pecar, eles haviam mergulhado de cabeça na prática do pecado. Paulo disse: “Tenho medo de que, quando chegar aí, eu os encontre diferentes do que eu gostaria que fossem e que vocês me achem diferente do que gostariam que eu fosse. Tenho medo também de encontrar brigas e ciumeiras, ódio e egoísmo, insultos, falatório, orgulho e desordens. Receio ainda que na minha próxima visita o meu Deus me humilhe diante de vocês e que eu tenha de chorar por muitos de vocês que continuam a cometer os mesmos pecados que cometiam no passado e não se arrependeram da sua imoralidade sexual, nem das relações sexuais proibidas, nem de outras coisas indecentes que faziam (2 Coríntios 12.20,21, NTLH).

Se eles apenas estivessem sendo tentados em algumas áreas, o conselho de Paulo teria sido completamente diferente. Mas por causa do ativo envolvimento deles no pecado, ele deixou claro que eles precisavam se arrepender do seu comportamento; e o arrependimento começa com o reconhecimento (isto é o que confissão é) de que eles precisavam voltar aos trilhos com Deus e obedecer a sua palavra. Lembre-se: Nunca temos que confessar pecados que não cometemos, mas se tivermos errado, devemos ser muito agradecidos a Deus pela existência de 1 João 1.9.