O Mandato Britânico

A primeira guerra mundial (de 1914 a 1918) mudou o mapa do antigo Império Otomano no Oriente Médio. A região foi repartida em duas grandes partes. A metade do Norte foi para a França (chamado de Mandato Francês), que incluía o que hoje são o Líbano e a Síria. A metade Sul, incluindo a margem ocidental do rio Jordão a oeste do Mar Morto, foi para a Inglaterra (o Mandato Britânico). Os britânicos chamaram a área que ocuparam pelo nome geopolítico de “Palestina”.

A tarefa específica dos britânicos era criar uma pátria para o povo judeu. A história mostra que a realidade do que aconteceu foi muito diferente.

Quando a guerra estava para acabar, o secretário do Exterior britânico, Arthur James Balfour, fez uma momentosa declaração, no dia 2 de novembro de 1917, anunciando que o governo britânico estava preparado para estabelecer uma pátria judaica na terra dos ancestrais do povo judeu. O documento se tornou conhecido pelo nome de Declração de Balfour. Aproximadamente entre 85.000 e 100.000 judeus moravam em Israel naquela época.

A perspectiva para o povo judeu era promissora. Entretanto, determinados líderes e figuras pró-árabes no Ministério do Exterior britânico tinham outros planos. Eles se ocuparam em dividir a área com pedaços menores. Em 1929, os britânicos criaram o Iraque. Em 1921, eles tomaram 77% do território restante, que deveria ir para o povo judeu, e criaram a Jordânia – que não incluía a margem ocidental do rio Jordão. (A Jordânia tomou a Margem Ocidental em 1948, tornou-se a inacessível a assentamentos judeus, e expulsou todos os judeus que moravam ali).

Embora estivesse consciente das ações dos britânicos, o povo judeu continuou a imigrar. Foi sugerido que, entre 1919 e 1923, cerca de 35.000 judeus vieram para a terra. Entre 1924 e 1928, outros 80.000 chegaram. Depois, entre 1929 e 1939, quando o nazismo estava tomando o poder da Alemanha, estima-se que 250.000 judeus retornaram à pátria de seus ancestrais.

De 1929 a 1939, eclodiram tumultos árabes. Muitos do povo judeu foram massacrados. A situação agravou-se de tal maneira que a Grã-Bretanha abandonou a Declaração de Balfour e, em 1936, convocou o que ficou conhecido como a Comissão Peel. Ela restringiu o povo judeu a um pedaço mínimo de terra ao longo da costa mediterrânea e a uma pequena área no Norte, no lado oeste do Marda da Galiléia. Mesmo assim, até essa pequena concessão irritou os árabes, que reagiram à proposta da Comissão Peel com levantes que duraram até 1939. A concessão nunca foi iniciada. Contudo, a Grã-Bretanha falhou em manter a Declaração de Balfour. Em vez disso, ela divulgou uma nova política chamada o Livro Branco de MacDonald. De 1939 a 1943, quando o povo judeu ainda era capaz de escapar da Europa durante a Segunda Guerra Mundial, desesperado para encontrar refúgio longe dos nazistas, os britânicos limitaram a imigração dos judeus à Terra Prometida.

Depois da guera, uns poucos grupos de judeus lutaram contra a opressão árabe e britânica. Finalmente, os britânicos acharam que bastava. Eles entregaram o problema inteiro para a ONU.

No dia 29 de novembro de 1947, a ONU deu ao povo judeu uns magros 11% da terra que havia sido designada a eles. Todo o restante foi para os árabes. Grande parte da terra que os judeus receberam era estéril, inabitável e uma faixa estreita demais para se defender. Mas, mesmo isso era mais do que os árabes estavam dispostos a conceder.

Cinco exércitos árabes avançaram sobre o recém-nascido Estado de Israel, certos de que conseguiriam destruí-lo. Em vez disso, os árabes perderam a guerra e Israel ganhou um adicional de 2.500 milhas quadradas. Deis de 2.000 anos, Israel estava novamente nas mãos dos judeus. Dave Hunt, estudioso da Bíblia, escreveu: “Nenhum outro povo jamais retornou para restabelecer sua própria nação e língua depois de ter sido expulso de sua terra por um período tão longo.”

Deus prometeu ao povo judeu: “Eis que farei voltar do cativeiro as tendas de Jacó, e apiedar-me-ei das suas moradas… e castigarei todos os seus opressores” (Jeremias 30.18-20, ACF).

O renascimento de Israel é um acontecimento extraordinário na história e demonstra que Deus cumpre as suas promessas e continua a cumpri suas profecias.

Quem recebeu a maior parte da terra que era reservada par ao povo judeu?

Desde os dias da concessão original sob o Mandato Britânico, a terra natal dos judeus tem continuado a encolher em vez de expandir – e até hoje continua encolhendo.

O corte começou um ano depois que o Mandato Britânico entrou em vigor. A distribuição original em lotes para Israel foi de 45.560 milhas quadradas (118.00 quilômetros quadrados), uma área um pouco menor do que o estado americano da Pennsylvania. Em 1921, para apaziguar os árabes, os britânicos arbitrariamente deram ao emir Abdullah da Arábia Saudita 77% do território (35.125 milhas quadradas) que haviam sido separados para o povo judeu. Esse novo país árabe da Transjordânia fica a leste do rio Jordão, estendendo-se até o deserto do Iraque. Abdullah, avô do falecido rei Hussein, estabeleceu então o Reino Hachemita da Jordânia.

A criação desse Estado “palestino” fatiou a pátria dos judeus, deixando-lhes uns meros 23% do loteamento original. Agora essa terra tinha apenas 10.478 milhas quadradas, das quais 4.500 milhas quadradas eram o deserto do Neguev. Além disso, os judeus que habitavam a leste do rio Jordão foram obrigados a sair. A nenhum deles foi permitido se estabelecer na Transjordânia. Mas aos árabes era livremente permitido se movimentarem para o oeste do rio Jordão, para dentro do que restou da pátria nacional judaica.

Dois anos depois que a Segunda Guerra Mundial terminou, as fronteiras da terra natal dos judeus encolheram ainda mais. No dia 20 de novembro de 1947, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas decidiu repartir os restantes 23% da pátria dos judeus em três partes. Israel recebeu o estéril e praticamente não-habitável Neguev e duas outras partes de terra, um total de 5.500 milhas quadradas. O futuro Estado de Israel havia encolhido e se tornado uma lasca de território – apenas 11% da terra que a Liga das Nações havia decretado que tivesse. Todo o restante foi para os árabes.

Fonte: Revista Notícias de Israel, julho de 2014, Ano 36, Número 07