As Institutas da religião calvinista

De vez em quando aparece alguém sugerindo que “Calvino não era calvinista”. Vê se pode! Claro que com isso eles querem dizer que há uma visão “deturpada” que não representa o “moderado”, “puro” e “verdadeiro” Calvinismo; e, assim, essa visão “deturpada” deveria ser mais corretamente chamada de “hipercalvinismo”. O que não deixa de ser engraçado, pois seria impossível falar do “verdadeiro calvinismo” sem reconhecer seus desequilíbrios doutrinários e perturbadoras excentricidades.

Um dos pontos supostamente “extremistas” do hipercalvinismo é a declaração de que Deus não destina apenas pessoas para a salvação e a glória, mas que também destina outras para a danação eterna; doutrina esta, mais popularmente conhecida como “dupla predestinação”. A despeito dos malabarismos teológicos que façam para tentar justificar o seu tipo de Deus, que escolhe uns para serem salvos e deixa os outros “seguirem o seu próprio destino funesto”, e, ainda assim, insistam em dizer que essa é a forma moderada de pensar calvinisticamente; a verdade é que o próprio João Calvino discordaria deles, e seria banido da sua religião e classificado como “hipercalvinista”.

Sendo assim, nada melhor do que oferecer aos céticos e ignorantes, uma pequena degustação do sabor amargo dessa religião anticristã, nas palavras do próprio Calvino:

“Chamamos PREDESTINAÇÃO o eterno decreto de Deus pelo qual houve por bem DETERMINAR O QUE ACERCA DE CADA HOMEM QUIS QUE ACONTECESSE. Pois ele não quis criar a todos em igual condição; ao contrário, preordenou a uns a vida eterna; a outros, a condenação eterna. Portanto, como cada um FOI CRIADO PARA um ou outro desses dois destinos, assim dizemos que um foi predestinado ou para a vida, ou PARA A MORTE”
Institutas, volume 3, capítulo 21, seção 5.

“a Escritura mostra claramente: que designou de uma vez para sempre, em seu eterno e imutável desígnio, àqueles que ele quer que se salvem, e também AQUELES QUE [DEUS] QUER QUE SE PERCAM”
Institutas, 3.21.7

“os réprobos SÃO SUSCITADOS PARA ESTE FIM, ou, seja, para que através deles a glória de Deus resplandeça. (…) Portanto, se não podemos assinalar outra razão por que Deus usa de misericórdia para com os seus, a não ser porque assim lhe apraz, tampouco disporemos de outra razão por que rejeita e exclui aos demais, senão pelo uso deste mesmo beneplácito”
Institutas, 3.22.11

Venham todos os filhos de Adão; contendam e alterquem com seu Criador por que antes mesmo de serem gerados FORAM PREDESTINADOS À PERPÉTUA MISÉRIA por sua eterna providência”
Institutas, 3.23.3

“Sem dúvida confesso que FOI PELA VONTADE DE DEUS que todos os filhos de Adão NESTA MISERÁVEL CONDIÇÃO em que ora se acham enredilhados. E isto é o que eu dizia inicialmente: por fim, tem-se sempre de volver ao mero arbítrio da vontade divina, cuja causa está escondida nele mesmo”
Institutas, 3.23.4

“Pois NÃO É PROVÁVEL que o homem TENHA BUSCADO SUA PERDIÇÃO pela mera permissão de Deus, e não por sua ordenação. Como se realmente Deus não haja estabelecido em qual condição quisesse estar a principal de suas criaturas”
Institutas, 3.23.8

“O primeiro homem, pois, caiu porque o Senhor assim julgara ser conveniente. Por que ele assim o julgou nos é oculto. Entretanto, é certo que ele não o julgou de outro modo, senão porque via daí ser, com razão, iluminada a glória de seu nome”
Institutas, 3.23.8