Perdão é opção ou obrigação?

Ao se levar em consideração o quanto o Novo Testamento ensina sobre o amor, podemos afirmar sem medo de errar que este é, sem dúvida, o tema mais importante de toda a vida cristã.

Certo dia Jesus afirmou que o mundo reconheceria “os discípulos de Cristo” pelo amor que estes teriam uns pelos outros. No entanto, não é preciso dizer que o amor não tem sido a mensagem mais pregada ou mais querida dos nossos púlpitos, até porque a clara ideia bíblica é que este “amor cristão” é sofredor, e quantos hoje em dia estão interessados em acreditar que sofrer faça parte do cristianismo?

A falta de predisposição para este sofrimento bíblico chamado amor, tem feito muitas pessoas se acharem numa espécie de “direito divinamente concedido” de apontar o dedo no rosto dos outros e simplesmente explicar as razões do porquê elas não merecem ser perdoadas. Usam de justificativas “socialmente compreensíveis” para esconder a mágoa e a falta de perdão no mais secreto compartimento do seu coração.

Quem não sabe o quanto Deus lhe amou e o quanto foi perdoado sem merecer, não entende o que significa perdoar pessoas que, semelhantemente, também não merecem. A oportunidade de agir como Deus, perdoando alguém que não merece, nunca deveria ser desperdiçada por alguém que se diz seu filho.

Jesus não parece ter dito que perdoar seria fácil, mas tudo indica que ele gostaria que entendêssemos que é obrigatório para alguém que assume o compromisso de entrar na família divina (Mateus 5.43-48).

Se você é realmente um seguidor de Cristo, que tal antes de pedir um carro importado orar para que seu amor cresça? (Filipenses 1.9); talvez você ache que não precise de “mais amor”, afinal, você pode pensar que já o tem de sobra não é mesmo?

Alguns de nós somos tão superficiais em nossa maneira de amar e perdoar os outros que antes de querermos “orar pelos que nos perseguem e amar nossos inimigos” poderíamos treinar um pouco tentando tratar melhor aqueles que já são nossos amigos.

Jesus disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei”. Como o perdão é uma expressão de amor, faça-se a seguinte pergunta: “tenho realmente perdoado amigos que já me feriram?” ou você realmente acredita que tem “razões suficientes” para não perdoar? Se as suas razões forem maiores do que o ponto de vista de Deus quanto à questão, então, você está certo! E certamente pode dormir em paz.