As 70 semanas de Daniel

PERGUNTA:

Natan, a última das setenta semanas de Daniel não pode ser divida entre João Batista e Cristo, pois note que no versículo 26 de Daniel 9 diz: “Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será morto”. Se fosse da maneira como você falou em seu vídeo, o texto estaria dizendo “depois das setenta semanas o ungido será morto”, não é mesmo? Jesus foi morto ao final da sexagésima segunda semana e por conta da rejeição do Messias por parte de Israel, a última semana ainda não se cumpriu. Estamos assim em uma espécie de “parênteses no tempo” e somente no final desse período é que o cronômetro de Deus voltará a contar para Israel, não é?

RESPOSTA:

Oi irmão, tudo bem? Eu conheço a teoria que você segue, e, na prática, o resultado final é bem semelhante à linha de pensamento que mencionei no vídeo. Se você quiser saber um pouco mais sobre essa abordagem que estou seguindo atualmente, você pode consultar o material do Dr. Derek Walker, na Oxford Bible Church, aqui: http://www.oxfordbiblechurch.co.uk. Agora, pelo seu comentário sobre o que eu falei, acho que você não conseguiu entender direito, deixa eu tentar explicar de outra forma.

Atualmente eu entendo que quando ele diz que 70 semanas estão determinadas sobre Israel e Jerusalém PARA “dar fim aos pecados, PARA expiar a iniquidade, PARA trazer a justiça eterna, PARA selar a visão e a profecia e PARA ungir a Jesus” ele está fazendo uma referência direta à crucificação de Cristo; pois ainda que alguns dos pontos não tenham se tornado realidade para todos os judeus, todos os elementos listados já estão disponíveis para qualquer judeu que fizer Jesus Senhor da sua vida, assim como aconteceu com milhares de judeus na época de Cristo e ainda acontece hoje em dia. Ou seja, o texto diz que transcorreriam setenta semanas completas para que essas bênçãos mencionadas se tornassem disponíveis aos homens através da cruz do Calvário.

No versículo 25 (antes do 26 que você mencionou) o texto diz: “desde o início da contagem das semanas até ao ungido passarão 69 semanas” (7 semanas mais 62 semanas). A expressão “até ao ungido” neste versículo deve estar se referindo até o APARECIMENTO do ungido e não até “à morte dele”, pois somente no versículo seguinte, o versículo 26, é que ele vai dizer que o ungido será morto DEPOIS da sexagésima segunda semana. Percebeu isso? Você pensava que ele tinha sido morto “NO FINAL DA SEMANA 62”, mas o texto bíblico diz que ele morreria DEPOIS DA SEMANA 62. Suponhamos que eu dissesse “bem gente, daqui ATÉ AO filme que iremos assistir hoje à noite teremos 1 hora e 30 minutos e o filme tem a duração de 1 hora e 30 minutos”. Isso significaria que no final de 1 hora e 30 minutos já teríamos visto o filme? Não né? Só terminaríamos de ver o filme depois de passadas todas as tês horas! Ou seja, desde o momento que eu falei, que é quando se iniciaria a contagem, até o término do filme! A contagem correta seria a seguinte: teria 1 hora e 30 minutos ATÉ O filme começar MAIS 1 hora e 30 minutos de duração do filme até ele terminar. É a mesma coisa no texto de Daniel, e, por alguma razão, algumas pessoas não estão entendendo isso. O texto está simplesmente dizendo o seguinte: “ATÉ AO UNGIDO passariam 7 semanas + 62 semanas” e “DEPOIS destas 62 semanas o ungido iria morrer”, ou seja: passariam 7 semanas, passariam 62 semanas, DEPOIS o ungido morre. 7 + 62 = 69, faltando apenas mais 1 para 70. Ora, se o texto diz que ao todo são 70 semanas para se cumprirem as promessas de expiação dos pecados e da concessão do dom da justiça, e se o texto diz também que o ungido seria morto depois das 62, em qual semana o texto estava dizendo que ele iria morrer? Se deveria ser depois das 62 (que veio depois das 7) Jesus teria que morrer na semana 70. O único ponto que talvez merecesse algum debate seria se ele morreria no início, no meio ou no fim da semana de número 70, mas eu penso que a morte de Cristo foi no final das 70 semanas, pois o início do Evangelho aconteceu com o aparecimento de João Batista pregando o arrependimento (Marcos 1.1-4), o que deve ter levado certo tempo a ponto de toda Judeia ter vindo se batizar com ele no Jordão; e somente depois Jesus fez a sua parte. Assim, João Batista deve ter passado 3 anos e meio fazendo sua parte e Jesus mais 3 anos e meio fazendo a parte dele na anunciação do Evangelho. No final destes 7 anos (que foram depois das 62 semanas, que por sua vez foram depois das 7 semanas iniciais), exatamente quando se completava a semana de número 70, Jesus morreu.

Com a morte de Jesus naquela cruz Deus cancelou o escrito de dívida, que era contra nós (Colossenses 2.14), Jesus aniquilou o pecado pelo sacrifício de si mesmo (Hebreus 9.26), pois o sangue derramado de Jesus é a propiciação pelos nossos pecados (1 João 2.2, 1 João 4.10), é assim que, quando a pessoa se converte, todos os seus pecados são cancelados (Atos 3.19); o que aconteceu foi que Deus fez Jesus tornar-se pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2 Coríntios 5.21); a eterna justiça de Deus nos foi concedida como um presente, uma dádiva, um dom, como está escrito “os que receberam a abundância da graça e o dom da justiça, reinarão em vida por meio de Jesus Cristo” (Romanos 5.17); por isso o Novo Testamento diz que a justiça de Deus se revelou agora, na Nova Aliança! (Romanos 3.21). Todos os profetas e a Lei profetizaram até João Batista (Mateus 11.13), as profecias foram cumpridas na crucificação de Jesus Cristo; Atos 13.27 diz “que os habitantes de Jerusalém quando condenaram Jesus, cumpriram as profecias”. Jesus mesmo disse, antes de morrer, que tinha vindo à terra para cumprir as profecias (Mateus 5.17) e depois que ressuscitou falou novamente sobre este cumprimento, mas agora considerando-o como uma coisa passada: “eu vos FALEI, estando ainda convosco: IMPORTAVA se CUMPRISSE tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos salmos” (Lucas 24.44); e ao ser ressuscitado dentre os mortos Jesus foi feito sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 5.5,6). Deus ressuscitou Jesus (Atos 2.32), o exaltou à sua destra (Atos 2.33) e Deus o fez Senhor e Ungido (Atos 2.36).

Concluindo, eu entendo que as 70 semanas se cumpriram perfeitamente, mas que haverá um período de 7 anos num futuro próximo em que Deus voltará a tratar com Israel de forma mais objetiva. Em vez de João Batista na unção de Elias e o Cristo, eles terão o próprio Elias e o Anticristo. Esta repetição dos últimos 7 anos da profecia de Daniel seria mais ou menos como as 7 vacas gordas e 7 vacas magras de José, ou como Jacó que se esforçou por 7 anos e não obteve o que desejava e precisou de mais 7 anos para unir-se com sua amada.

A verdade é que a despeito da forma que os anos são contatos em relação à profecia das 70 semanas de Daniel, na prática, vai dar no mesmo. Eu só entendo da forma que falei, pois vejo mais coerência com a precisão das expressões usadas nos textos de Daniel. No mais, não vejo como um grande problema usar outras terminologias ou abordagens diferentes.