Você sabia que o amor do cristão pode aumentar?

JESUS ENSINAVA A AMAR!

Jo 13:35
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.

No texto acima Jesus estava dizendo que a principal característica de um cristão seria o amor. De fato, Jesus falou que as pessoas “saberiam que eles tinham sido alunos de Jesus, se eles tivessem amor uns pelos outros”. O interessante desta declaração de Cristo é que isso significa que o mundo saberia que os seguidores de Jesus teriam aprendido a amar com seu mestre. Ora, se o amor revela que os cristãos são aprendizes de Cristo, isto significa duas coisas: que Jesus ensinava a amar e que o amor é uma coisa que pode ser aprendida.

Hoje em dia alguns seguidores de Cristo parecem confusos a respeito desse assunto, pois supõem que por serem cristãos já tem todo amor de que poderiam precisar; e alegam, equivocadamente, que “o amor de Deus  foi derramado em seus corações” e, POR ISSO, não precisam “ter mais amor”.

Essa confusão parece ter surgido numa má interpretação de Romanos 5.5. As pessoas leem a parte do texto que diz que “o amor de Deus foi derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado”, mas não o entendem corretamente. Paulo não está dizendo que “todo o amor de Deus já foi derramado em nosso coração” ou que “não precisamos de mais amor” ou qualquer outra coisa parecida. Ainda que alguns nossos amigos interpretem esse versículo dessa forma, não é exatamente isso que ele está dizendo.

Algumas versões em português traduzem o trecho do amor neste versículo da seguinte forma:

NVI: “Derramou seu amor”
ARC: “Está derramado”
A21: “Foi derramado”
TB: “Tem sido derramado”
ARA: “É derramado”

Alguém poderia usar uma das versões que mais parece adequada à sua interpretação e dizer: “O amor de Deus não será derramado no futuro, não está sendo derramado no presente, ele já foi derramado de uma vez por todas”. Ainda que seja importante considerar as diversas traduções que fazem deste trecho, eu penso que o ponto central da questão não seja um problema de tradução em si. É no contexto onde muitas vezes encontramos as respostas para as dúvidas textuais mais intrigantes, e acredito que seja o mesmo em relação à Romanos capítulo 5.

Embora seja importante falar sobre nosso amor uns pelos outros e por todos, não parece ser sobre isso que Paulo está falando no texto em questão. Paulo está falando sobre nossa confiança em Deus por conhecermos o amor dele POR NÓS e não sobre como podemos amar OS OUTROS. A Nova Versão Transformadora diz o seguinte: “essa esperança não nos decepcionará, pois sabemos quanto Deus nos ama, uma vez que ele nos deu o Espírito Santo para nos encher o coração com seu amor”. No contexto de Romanos 5 Paulo na verdade está dizendo que não nos frustraremos em ter esperança de um dia participar da glória de Deus pois sabemos que Deus nos ama muito! Em outras palavras, semelhantemente a uma noiva que tem esperança de brevemente casar-se com seu noivo por saber o quanto ele a ama, assim também nós não nos decepcionaremos em ter esperança em nossa futura união com Cristo, pois sabemos o quanto Deus nos ama. O texto não está dizendo que podemos amar os outros porque temos muito amor em nosso coração ou porque “o amor do tipo Deus” já nos foi dado quando nascemos de novo. Ele está dizendo que pelo Espírito Santo que nos foi dado conhecemos sobre o amor que Deus tem por nós! No verso 8, inclusive, Paulo vai corroborar esta ideia afirmando que “Deus prova o seu amor para conosco”. O contexto específico de Romanos 5 não está falando sobre amarmos os outros e sim sobre sermos amados.

É BÍBLICO ORAR PARA O AMOR AUMENTAR

No entanto, se pretendemos falar sobre “nosso amor pelos outros”, assunto do nosso texto inicial de João 13.35, é importante que saibamos que para amarmos como convém é preciso que oremos para que nosso amor cresça, e é bíblico também que nos estimulemos uns aos outros a amar como Deus espera que façamos. Não se iluda, não será uma coisa automática. Paulo disse: “FAÇO ESTA ORAÇÃO: Que o vosso amor aumente mais” (Filipenses 1.9) e em Hebreus 10.24 está escrito: “Consideremo-nos também uns aos outros, para NOS ESTIMULARMOS ao amor e às boas obras”. Para que possamos amar no padrão bíblico é preciso estímulo, é preciso oração, é preciso que o amor cresça! Quem diria que a razão de muitos não estarem andando em amor como deveriam é porque não estão seguindo essas diretrizes? É bíblico dizer que o amor aumenta! É bíblico orar para que isso aconteça! Talvez seja exatamente este o problema de alguns: por pensarem que é antibíblico crer que o amor pode aumentar, estão fracos e pobres em seu amor pelos outros, pois estão crendo e vivendo contra o ensino claro das Escrituras.

Existem outros textos no Novo Testamento que falam claramente sobre o crescimento do amor:

1 Tessalonicenses 3.12
O Senhor vos faça CRESCER e AUMENTAR NO AMOR uns para com os outros e para com todos…

2 Tessalonicenses 1.3
Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a VOSSA FÉ CRESCE sobremaneira, e o o vosso mútuo AMOR de uns para com os outros VAI AUMENTANDO

Na versão Almeida 21 o último versículo acima foi traduzido da seguinte forma: “vossa fé tem crescido muito, e o amor de cada um de vós transborda de uns para com os outros.

Outros textos também falam sobre o aperfeiçoamento do amor, dando uma ideia de amadurecimento ou “melhoramento” deste amor: 1 João 2.5, 1 João 4.12, 1 João 4.17, etc. De fato, aprendemos pelas Escrituras que o amor pode ser multiplicado a ponto de transbordar, como também parece poder ser reprimido e esfriar pela multiplicação de coisas contrárias a ele. Em Judas 1.2 o escritor revela que seu desejo é que “o amor seja multiplicado” na vida dos irmãos, e Jesus disse em Mateus 24.12 que “por se multiplicar a iniquidade, o amor poderia se esfriar”. O amor multiplicado pode cobrir transgressões, mas a maldade multiplicada pode esfriar o amor. Textos como estes nos mostram uma possível oscilação do amor na experiência pessoal de cada um. Em dado momento da vida da pessoa o amor pode ser forte ou fraco, muito ou pouco, fervoroso ou frio.

A Bíblia diz que o amor é sofredor, pois amar nem sempre é sentir-se bem pelo que fazem por mim ou comigo; amar, no sentido bíblico, muitas vezes é aguentar injustiças e não revidar o mal que nos é feito, e, além de não revidar, é também não ressentir-se do mal que é feito contra nós, tenha sido ele intencional ou não. Isso não é uma coisa simples, não é tão fácil como fazem parecer. Fácil é dizer que amamos quando não precisamos provar isso de forma prática. Fácil é amar aqueles que eu penso que me amam, aqueles que me fazem bem. O amor bíblico está muitas vezes associado ao sofrimento e à tristeza por suportar maus tratos do que à alegria e ao bem-estar pessoal de ser benquisto ou muito respeitado.

Todavia, esse sofrimento bíblico, chamado de amor, oferece garantia de recompensas! Sempre valerá a pena amar!

1 Coríntios 13.3
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, SE NÃO TIVER AMOR, nada disso me aproveitará.

Veja que no texto acima Paulo disse que “não teremos proveito em fazer o bem aos outros SE NÃO FOR POR AMOR”. Toda ação e reação praticada com base na motivação do amor pelos outros nos trará algum proveito! Seja nessa vida, seja na próxima, o amor sempre traz recompensas! Ainda que tudo passe, as recompensas alcançadas aqui por causa do amor continuarão conosco por toda eternidade. O amor transcende as coisas desta vida, e ainda que outras bênçãos, dons e graças divinas passem, o amor jamais acabará. Seus galardões nos encontrarão “do lado de lá” da eternidade.

FÉ, ESPERANÇA E AMOR

1 Tessalonicenses 1.3
Recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa FÉ, da abnegação do vosso AMOR e da firmeza da vossa ESPERANÇA em nosso Senhor Jesus Cristo

De todos os pilares do Cristianismo, podemos citar três dos principais pelo nome: Fé, Esperança e Amor. Destes três que hoje permanecem, o amor ainda é o maior deles (1 Coríntios 13.13). A é uma força espiritual concedida por Deus ao homem feito à sua imagem e semelhança, e como fruto do espírito humano é capaz de mudar coisas e circunstâncias ao redor daquele que a utiliza. A esperança é a graça de Deus atuando em nossas emoções e nos fazendo acreditar no futuro que ele tem para nós; quem tem esperança recupera o ânimo e não se abala, pois a esperança muda aquele que a tem em sua vida. O amor, no entanto, é o único capaz de mudar aqueles que estão ao redor daquele que o possui. A fé muda as coisas, a esperança muda a própria pessoa que a mantém no coração, mas o amor transcende o indivíduo e muda outros ao seu redor. Por essas e por outras é que o amor é maior que a fé e maior que a esperança, pois está destinado a alcançar o bem mais precioso com o qual podemos nos deparar nesta vida: Pessoas! Seres criados à imagem e semelhança de Deus!