PERGUNTA:

O dízimo no Antigo Testamento não era alimento? Por que hoje em dia os ministros recebem dinheiro? Além disso, porque tem que ser dado todo mês?

RESPOSTA:

Na verdade os ministros da época da Lei de Moisés (os levitas que você mencionou) foram obrigados por Deus a serem sustentados pelo restante do povo de Deus; as Escrituras dizem que outra herança eles não teriam a não ser os dízimos. Não sei se você viu o vídeo, mas falo um pouquinho sobre isso durante a mensagem.

O dinheiro como o conhecemos hoje é uma invenção recente, não estava presente na maioria das histórias da Bíblia; até mesmo quando alguma versão da Bíblia usa a palavra “dinheiro” é uma tentativa de fazer referência a algo que possamos entender. Nas épocas bíblicas mais remotas o papel do dinheiro era desempenhado pelos grãos, hortaliças, frutos, gado, etc. Estes eram os elementos usados como base de troca por outros materiais, assim como fazemos hoje em dia com o dinheiro.  Depois de milhares de anos o ouro e a prata foram sendo usados cada vez como referência de riqueza e mercadoria universal que pudesse ser usada como equivalência para todas as outras mercadorias; assim surgiu “a moeda” como dinheiro e posteriormente, já em nossa época, surgiu o “papel moeda”.

O dízimo sempre foi dado de acordo com a realidade do momento; fossem frutos da terra, gados ou outras coisas, uma das funções prioritárias do dízimo (não a única) era manter a vida dos obreiros. Você poderá ver isso mais claramente em Números 18.21-26, onde o texto diz que os obreiros da época receberiam os dízimos “pelo serviço que prestavam”, ou seja, “pelo trabalho que desempenhavam”. Quando chegamos no Novo Testamento Paulo toca no assunto citando diretamente o texto de Números 18: “Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento?” (1 Coríntios 9.13). Paulo está falando de algo que todos já sabiam naturalmente, mas, para confirmar seu argumento, ele diz que “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o Evangelho que vivam do Evangelho” (1 Coríntios 9.14). Paulo está dizendo que o texto do Antigo Testamento prescreve o sustento dos obreiros que trabalham no ministério e que, DA MESMA FORMA, Jesus TAMBÉM deu a mesma ordem. Esta é a razão porque Paulo diz que o “trabalhador é digno do seu salário” quando fala sobre a remuneração dos ministros em 1 Timóteo 5.17,18, pois este é o sentido primário (não o único) da existência do dízimo ao longo da Bíblia. Assim como a vida em sociedade evoluiu e alcançou novas realidades, da mesma forma o dízimo hoje em dia assume a forma necessária para continuar mantendo os que trabalham no ministério.

Eu não teria condições de cumprir a ordem de Cristo em ajudar a manter os obreiros que pregam o Evangelho se tivesse que dar frutas, vacas ou coisas semelhantes; outros talvez pudessem, mas eu certamente não. Graças a Deus, porém, que não preciso ficar de fora do avanço do Evangelho pois posso contribuir com dinheiro que tem um valor geral reconhecido e pode ser usado de forma mais diversificada para suprir as necessidades da vida moderna.

Concluindo, tomando emprestado o seu raciocínio de que “o dízimo era para alimentar os ministros do Antigo Testamento”, isso por si só já explica porque o dízimo era dado de forma contínua, não é mesmo? Pois qualquer ser humano normal precisa de sustento continuamente, mesmo quando trabalhando para Deus. Transferindo para a nossa realidade, e respondendo à sua pergunta, é por isso que hoje em dia, TAMBÉM, entregamos o dízimo todo mês, ou, mais precisamente: com frequência, pois como argumentou Paulo em Gálatas 6.6: “queremos fazer participantes de todas as coisas boas aqueles que nos instruem na Palavra”, não queremos?