É interessante de se observar como quase todos os extremismos e desequilíbrios trazem marcas semelhantes em diversos aspectos. Desde o desprezo àqueles que “não entendem a grande revelação” que o grupo supostamente possui, até os ataques mais contundentes contra os que “não veem a verdade”.

Paulo era incisivo em relação a rechaçar doutrinas perigosas nas igrejas ONDE ELE TINHA AUTORIDADE. Paulo não pretendia “edificar sobre fundamento alheio” e “respeitava a esfera de ação que Deus lhe havia demarcado”. Ele mesmo disse em 1 Coríntios 9.1 que “se não era apóstolos para outros, ele o era para os coríntios”. Paulo não tinha autoridade na igreja de Jerusalém, e ele mesmo disse que as colunas da igreja de Jerusalém eram “Tiago, Pedro e João”. Paulo sabia até onde poderia ir em sua autoridade divinamente concedida para “edificar e não para destruir”. No entanto, certos grupos com supostas revelações mais profundas atacam e caluniam qualquer outro que não pense como eles.

Qualquer “revelação” que vá além daquilo que JÁ FOI PREGADO, ainda que tenha sido trazida por um anjo DO CÉU, deve ser considerada perigosa e nunca como “uma bênção”. A única forma de julgar criteriosamente os ventos de doutrinas que surgem DENTRO e FORA do nosso grupo cristão é respeitando as Escrituras inspiradas por Deus, porque estas sim, SÃO ÚTEIS para aperfeiçoar o homem e a mulher de Deus.

Qualquer crença, esperança ou pregação que simplesmente despreze o ensino claro e EQUILIBRADO das Escrituras causará algum mal no ouvinte que se deixa persuadir. Não se esqueça disso: desconfie sempre de qualquer pregador que zomba ou ridiculariza o equilíbrio e o bom senso.

A Bíblia é um livro de equilíbrio, e todo aquele que desrespeitar os princípios das Escrituras, trará sobre si mesmo os males merecidos.

Jesus disse que seus seguidores devem ser “mansos como pombas, mas prudentes como serpentes”. Disse que devemos “dar a Deus o que é de Deus, mas a César o que é de César”. Paulo disse que devemos “ser meninos na malícia, mas adultos no entendimento”. Estes não são os únicos textos que apelam para o bom senso e para o equilíbrio, mas infelizmente nem sempre somos capazes de desprezar as lindas mensagens de nossos pregadores prediletos para nos apegarmos somente à Palavra de Deus.

Paulo disse: “estou certo, meus irmãos, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, APTOS para vos ADMOESTARDES uns aos outros” (Romanos 15.14). Se Paulo merece atenção em seus posicionamentos, pelo texto acima devemos admitir que precisamos nos admoestar uns aos outros. Admoestar não é sinônimo de exortar. Enquanto exortação é encorajamento, incentivo, etc., admoestação é repreensão, censura e advertência. Paulo disse que devemos nos admoestar uns aos outros! E mais uma vez, para que isso possa ser feito, Paulo apela ao equilíbrio: “bondade e conhecimento”. Não apenas bondade para que não sejamos complacentes demais, não apenas conhecimento para que não sejamos duros demais. Para repreender os irmãos precisamos do equilíbrio entre a bondade e o conhecimento.

Nem mesmo ao homem faccioso Paulo manda evitar, a não ser DEPOIS de ADMOESTÁ-LO pelo menos duas vezes! (Tito 3.10). Aos que se perguntam porque evitar uma pessoa facciosa somente depois de repreendê-la duas vezes, a explicação vem com o próprio texto de Paulo em Tito 1.11-13: “É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem… um dos profetas deles disse que são sempre mentirosos, feras terríveis e ventres preguiçosos. Tal testemunho é verdadeiro, POR ISSO, REPREENDE-OS SEVERAMENTE, PARA QUE sejam sadios na fé…”. O texto sagrado está dizendo que “a repreensão severa pode fazer com que pessoas que ensinam o que não devem se tornem sadias em sua fé”. A repreensão cura! A repreensão tira do erro e aperfeiçoa o crente (2 Timóteo 3.16,17).

O real objetivo da repreensão deve ser ajudar, fazer o bem. A repreensão é uma bênção tanto quanto a tristeza sentida por aquele que foi repreendido. Nem toda tristeza é uma coisa ruim, e não é certo pensar que não há lugar para a tristeza na vida do crente. Já devíamos saber disso pois o pregador já tinha falado que “há tempo para tudo debaixo do céu: há tempo para sorrir e há tempo para chorar, tempo para se entristecer e tempo para saltar de alegria” (Eclesiastes 1.1,4). Jesus disse em Lucas 17.3,4 e Mateus 18.15 que quando alguém pecar contra nós devemos repreendê-lo na expectativa de que ele se arrependa, e se ele se arrepender, Jesus disse que teremos ganhado nosso irmão. Tudo indica que o objetivo da repreensão deveria ser “ganhar o irmão”, mas para que isso aconteça a repreensão deverá causar uma divina tristeza no coração da pessoa repreendida. Certa vez falando aos coríntios Paulo disse: “me alegro porque fostes entristecidos PARA arrependimento.. porque A TRISTEZA SEGUNDO DEUS produz arrependimento” (2 Coríntios 7.9,10). Sei que alguns irmãos não conseguem entender isso, mas as Escrituras ensinam claramente que existe uma tristeza que é de Deus! Quando um cristão está no erro e ao ser repreendido não se entristece e continua sentindo-se bem, isso é mal; mas se o cristão está no erro e ao ser repreendido se entristece e sente-se mal, isso é bom!

Paulo falando sobre erros doutrinários disse que alguns dos seus companheiros tinham se “desviado da verdade” e que, por isso, eram comparados a “utensílios para desonra”, mas se algum deles “a si mesmo se purificasse destes erros” seria então “utensílio para honra”, e por haver passado pelo processo de purificação agora estaria “SANTIFICADO, PREPARADO E ÚTIL ao seu possuidor para toda boa obra” (2 Timóteo 2.18,20,21).

No entanto, se depois de repreender o faccioso primeira e segunda vez ele não der ouvidos, o conselho claro de Paulo é um só: “afaste-se dele!”

“EVITA O homem FACCIOSO, DEPOIS DE ADMOESTÁ-LO PRIMEIRA E SEGUNDA VEZ, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada” ( Tito 3.10).

“Rogo-vos, irmãos, que NOTEIS BEM AQUELES que PROVOCAM DIVISÕES e escândalos, EM DESACORDO COM A DOUTRINA que APRENDESTES; AFASTAI-VOS deles… porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim aos seus próprios interesses; e COM PALAVRAS SUAVES e bajulações, ENGANAM O CORAÇÃO dos inocentes” (Romanos 16.17-18).