Qual é a melhor expressão de adoração?

Eis aí uma pergunta que vez por outra surge em relação à “forma correta de adorar a Deus”. Bom, para começo de conversa, acredito que há momentos oportunos durante a liturgia dos cultos modernos onde as palmas não atrapalhariam coisa alguma, ao contrário, seriam muito bem vindas. Logicamente não me refiro à expressão de alguns solistas vocais que durante o momento dos cânticos pedem “uma salva de palmas para Jesus”, que, por sinal, é um pedido muito engraçado por si só.

Por outro lado, palmas para acompanhar o ritmo musical ou mesmo uma salva de palmas direcionada aos homens, como forma de reconhecimento de alguma ação positiva, não vejo problema algum. Existem igrejas que usam seus espaços de reuniões para apresentarem peças teatrais em dados momentos de seus ajuntamentos, e acredito que oferecer “uma salva de palmas” ao final da peça como reconhecimento da apresentação parece ser uma forma educada e bonita de dizer “muito obrigado”. Se alguém vai ao púlpito para recitar um poema, cantar uma música especial ou fazer qualquer outra atividade que demanda a atenção do povo, acho muito saudável que a comunidade de irmãos responda positivamente ao que foi feito com uma salva de palmas. Afinal de contas, palmas nestes contextos não tem relação alguma com adoração a Deus, mas são expressões de reconhecimento de atividades humanas. Também não vejo problema algum se durante a preleção da mensagem o povo se alegra com alguma declaração do pregador e em resposta aplaude ou fica em pé, ou dão gritos de alegria, tudo isso como forma de feedback ou confirmação àquilo que foi dito.

Aos que “se sentem levados pelo Espírito Santo” a “bater palmas para Jesus” durante um momento de oração mais profundo, não tenho muito o que dizer. Até conheço inúmeras pessoas que nestas ocasiões sentem vontade de se expressar de maneiras diferentes: há quem bata palmas, mas há também quem pule, corra pela igreja, grite e role no chão. Acho que se qualquer uma destas coisas fossem feitas em um lugar reservado apenas para crentes, não teria problema nenhum. Em ambientes assim, onde não há possibilidade de entrarem incrédulos ou indoutos, não vejo grandes problemas até mesmo se a igreja inteira estivesse ao mesmo tempo orando em línguas em voz alta. No entanto, acredito que para reuniões onde incrédulos se façam presentes, ou exista a real possibilidade de sua presença, os crentes deveriam ser menos ignorantes a respeito das coisas espirituais (1 Coríntios 12.1). Este cuidado inspirado pelas Escrituras “para com os que são de fora” é um apelo ao bom senso e ao uso do juízo com maturidade como Paulo disse em 1 Coríntios 14.18-20. Afinal, esta parece ser a recomendação bíblica para que não digam que “estamos loucos” (1 Coríntios 14.23) ou que “estamos embriagados” (Atos 2.13,15). Se é que ainda há quem se importe com isso.

Penso que as palmas só poderiam ser um problema se acontecessem fora do contexto adequado. Para exemplificar, gostaria de fazer a seguinte pergunta: Teria sentido um marido durante o ato sexual com sua esposa lhe oferecer uma salva de palmas como expressão de alegria pelo que ela o faz sentir? Claro que não! Pois o momento, por si só, é impeditivo para isso. Não tem sentido, não é mesmo? Penso que da mesma forma quando alguém está em seu quarto em oração, num profundo momento de comunhão com Deus, não faz sentido ele interromper aquele momento tão sublime para “bater uma salva de palmas para Jesus”. No momento de maior intimidade com o Senhor sua melhor expressão de adoração seria bater palmas? Acho que não é o momento certo para isso. Não consigo ver qualquer ligação entre a verdadeira oração bíblica e “uma salva de palmas para Jesus”. Palmas como expressão de alegria é uma coisa, mas como uma forma de oração ou adoração, me parece um pouco sem sentido.

Da mesma forma, quando entendemos que o genuíno louvor e adoração a Deus são expressões que partem do espírito humano recriado, cada vez menos nos deixaremos iludir com atrativos e incentivos externos para adorar. Palmas, danças, luzes, até podem ter um lugar nas reuniões cristãs, em seu devido contexto, claro; mas se não houver bom senso por parte da comunidade cristã que os usa, tais coisas serão concorrentes fortíssimos ao verdadeiro momento de louvor e adoração espiritual mais profundo. Tantas coisas exteriores são feitas para chamar nossa atenção que não dá para fechar os olhos e tentar orar, pois correríamos o risco de perder a beleza da apresentação que está sendo oferecida. Conheço comunidades cristãs que recriminam aqueles que usam luzes e efeitos especais durante os seus cultos, mas ao mesmo tempo usam inúmeros grupos de danças e coreografias; outros recriminam as danças e coreografias durante o louvor, mas o jogo de luzes usado durante os cultos é um verdadeiro show à parte.

Por outro lado, algumas comunidades cristãs tentando incentivar uma intimidade maior com Deus, ao tentar fugir da exteriorização banal de alguns cultos de hoje em dia, acabaram caindo no outro lado da estrada. Por isso não é muito difícil encontrar pessoas que fazem músicas que parecem tratar Jesus como uma espécie de “namorado espiritual”. Tentando valorizar mais a intimidade do que a exteriorização, apelaram para a ideia natural de relacionamento íntimo: sentar no colo, vestir a camisa do namorado, esconder os chinelos em tom de brincadeira e assim por diante.

A verdadeira intimidade com Deus na adoração cristã é aquela que acontece espiritualmente. Sem explicar muito, coisa que pretendo fazer num próximo texto, quero apenas lembrar que Jesus disse que “Deus é espírito! Por isso importa que os seus adoradores o adorem em espírito” (João 4.24).

Acredito que seria estranho se começássemos a “bater palmas para Jesus” sozinhos em nossos quartos no momento mais comovente e de maior intimidade durante a oração. Da mesma forma, se em nossos cultos congregacionais estivéssemos mais concentrados no Senhor nos momentos de adoração do que uns nos outros e nos outros atrativos que às vezes concorrem com o Espírito Santo, não iríamos nos sentir tão conduzidos a expressões mais físicas que espirituais.