O cristão e a vergonha do pecado

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Normalmente o cristão que peca tem vergonha do pecado cometido. Em certo sentido, o simples fato dele sentir-se mal por causa do erro que praticara é um indício de que ele ainda pode ser restaurado.

Quando um cristão já não se envergonha dos pecados que comete e até chega a se orgulhar numa roda de amigos sobre alguns dos pecados que cometera, a situação está ficando grave. Pior ainda ficará quando um cristão já cansado de esconder os pecados aos quais volta regularmente, decide abandonar o convívio da igreja e se entrega despudoradamente a uma vida pública de pecados.

Muitas vezes assistimos alguns dos nossos irmãos percorrem toda essa caminhada descrita acima sem que sequer demonstremos qualquer interesse numa possível ajuda que pudéssemos oferecer.

Às vezes não conseguimos ajudar porque simplesmente não sabemos das particularidades da vida íntima de cada um. Mas, e quando ficamos sabendo? Como reagimos? Que tipo de abordagem fazemos em situações como estas? Afinal de contas existe algum tipo de padrão bíblico para a abordagem que deve ser feita por um cristão a outro que fora surpreendido em algum pecado?

Sim, graças a Deus nós temos instruções nas Escrituras sobre a maneira bíblica para restaurar irmãos surpreendidos em algum pecado.

No encerramento da segunda carta de Paulo aos Tessalonicenses ele comenta rapidamente sobre uma situação desagradável que soubera estar acontecendo naquela comunidade cristã. Ele diz que estava informado de que alguns dos irmãos estavam andando desordenadamente, que não trabalhavam e ainda usavam o tempo livre para ficar se metendo na vida dos outros (2 Tessalonicenses 3.11).

Paulo já tinha dado algumas instruções a respeito desse assunto quando estivera presente com eles, e agora, por meio da epístola, ele volta a reforçar a mesma coisa que já tinha dito (2 Tessalonicenses 3.10,12). No entanto, visando uma possível correção na vida daqueles que porventura insistissem no erro, ele acrescenta:

2 Tessalonicenses 3.14,15
14 Caso alguém não preste obediência à nossa palavra dada por esta epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique envergonhado.
15 Todavia, não o considereis por inimigo, mas adverti-o como irmão.

No verso 6 do mesmo capítulo Paulo já tinha dito que os irmãos deveriam se apartar daquele que estivesse com um comportamento desordenado; e agora nos versículos 14 e 15 ele praticamente repete a mesma coisa acrescentando mais algumas informações importantes. Paulo disse que os irmãos não se associassem com ele PARA QUE FICASSE ENVERGONHADO.

A vergonha sentida por um cristão por causa de um pecado cometido pode surtir um efeito abençoador. Paulo tinha um objetivo em mente quando deu as instruções que acabamos de ler. Havia um propósito divino!

Triste é quando os irmãos não têm essa mesma motivação, e o mesmo interesse, e a única razão pela qual se afastam de alguém na igreja é porque não querem ser vistas próximas de um irmão que “não tem qualquer ocupação profissional”. Muitos até se afastam dos que andam desordenadamente, não por seguirem as recomendações de Paulo, mas porque estão mais preocupadas com a sua própria imagem.

Acredito que Paulo sabia tanto que as pessoas são assim que ele já vai logo dizendo: “Façam o que eu recomendei, mas não é para deixar de ter consideração por ele! Não vão agir carnalmente e considera-lo como um inimigo. O propósito é fazer uma advertência de irmão!”

Talvez seja por isso que tanta gente não tem sido restaurada como poderia. Talvez estejam faltando pessoas mais espirituais na igreja que saibam como aplicar uma correção sem se deixarem levar pelas emoções do momento. É preciso ser espiritual para corrigir a vida de alguém carnal (Gálatas 6.1).

Se realmente queremos nos apoiar uns aos outros de forma que sejamos uma benção na vida do outro, precisamos tratar as faltas dos irmãos com conhecimento e com bondade. Se fizermos uso apenas do conhecimento poderemos ficar duros demais, se usarmos apenas a bondade poderemos ficar moles demais. É preciso um equilíbrio apropriado para que possamos nos admoestar uns aos outros como convém no Senhor.

Romanos 15.14
E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de BONDADE, cheios de todo o CONHECIMENTO, APTOS PARA VOS ADMOESTARDES UNS AOS OUTROS.

A aptidão necessária para praticarmos a admoestação bíblica vem da mistura destes dois elementos: bondade e conhecimento.

Outra coisa que penso ser importante mencionar é que quando Paulo fala aos irmãos de Tessalônica que tenham um determinado comportamento para com aquele irmão vagabundo e fofoqueiro, o objetivo está muito definido: para que ele fique envergonhado. Obviamente que o sentido de tudo isso é para que aquele tratamento o faça pensar, para que possa rever a sua vida, arrepender-se do comportamento desordenado e mudar.

A partir do momento que o resultado esperado seja alcançado, é imperativo que os irmãos o tratem com atenção e amor como sempre o fizeram. Os irmãos não se associam com ele enquanto ele está vivendo desordenadamente, mas a partir do momento que este irmão aceita a correção e muda, os irmãos que estavam seguindo as instruções de Paulo de se afastar, devem mudar também!

O objetivo de tudo isso é abençoar a vida do irmão que está vivendo desordenadamente. A correção, a disciplina, é uma grande benção na vida daquele que dela precisa. Assim como um pai que corrige um filho porque o ama e não porque deseja trucida-lo por meio de açoites, a disciplina bíblica visa o arrependimento e a salvação dos filhos de Deus.

Se a dosagem no tratamento dos irmãos para com aquele que estava em pecado for além do limite bíblico e saudável, em vez de surtir o efeito positivo que as Escrituras sugerem, é possível que aquele irmão seja consumido por demasiada tristeza.

2 Coríntios 2.6-8 (Bíblia Viva)
6 Ele já foi suficientemente castigado com a reprovação unânime de todos vocês.
7 Agora é o momento de perdoa-lo e conforta-lo. Do contrário, ele poderá ficar tão amargurado e tão desanimado que não será capaz de reabilitar-se.
8 Assim, eu lhes peço que mostrem a ele agora que vocês verdadeiramente ainda o estimam muito.