O amor maduro

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Este texto foi extraído do livro Libertação da Imoralidade Sexual, de Natan Rufino

Ora, quando eu amo a Deus eu guardo os seus mandamentos (João 14.15), por sua vez seus mandamentos me ordenam amar os outros (João 13.34), quando eu amo os outros o amor de Deus é aperfeiçoado em mim (1 João 4.12). É um verdadeiro ciclo divino de amor e obediência. Tudo se resume nisto.

De 1 João 4.19 em diante ele deixará cada vez mais claro que o amor que temos pelos outros é uma consequência direta da descoberta deste amor que Deus teve por nós. Como ponto de partida amamos inicialmente a Deus, porque ele nos amou primeiro:

1 JOÃO 4.19
Nós amamos porque ele nos amou primeiro.

E se pensarmos que amamos a Deus, mas não estamos conseguindo amar os irmãos, então, antes de sermos chamados de mentirosos é melhor pensarmos novamente se realmente conhecemos este amor (1 João 4.20, 1 João 4.8 ). Pois a grande verdade é que todo aquele que nasceu de Deus, não apenas ama ao Deus que lhe gerou, como naturalmente amará todos os que também nascerem dele:

1 JOÃO 5.1
Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; E TODO AQUELE QUE AMA AO QUE O GEROU TAMBÉM AMA AO QUE DELE É NASCIDO.

Que fique claro que temos um mandamento: Quem ama a Deus, ame também a seu irmão! (1 João 4.21 ).

Por outro lado, se alguém disser “Ah, mas eu amo muito a Deus”, e na verdade mantiver ódio em seu coração contra um irmão, ele não é nada mais do que um mentiroso, pois aquele que não ama a seu irmão a quem vê, não conseguirá amar a Deus a quem não vê, e mentirosos não tem condição de estar confiantes diante do Juiz de toda a terra (1 João 4.20 ). Até porque aquele que odeia a seu irmão é assassino, e todo mundo sabe que um assassino não tem a vida eterna permanente em si (1 João 3.15 ).

1 JOÃO 3.18,19
Filhinhos, não AMEMOS de palavra, nem de língua, mas DE FATO E DE VERDADE. E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, PERANTE ELE, TRANQUILIZAREMOS O NOSSO CORAÇÃO.

Este versículo retrata um apelo para os filhos de Deus (filhinhos). Não é para pecadores, pois eles nem sequer tem condição de cumprir esta obrigação. Veja também que este texto traz alguns dos elementos que já lemos um pouco acima. Aqui João está dizendo que “se amarmos de verdade tranquilizaremos nosso coração diante de Deus”. É semelhante a 1 João 4.12 e 17 que diz: “se amarmos uns ao outros o seu amor será aperfeiçoado em nós e no dia do juízo teremos confiança”.

Ora, isso não faz todo o sentido? O temor da punição pressupõe que houve desobediência a um mandamento, mas se o mandamento que me fora dado é amar os outros, então, se me aperfeiçoo neste amor, eu estarei na verdade me aperfeiçoando na obediência do mandamento que me fora dado, LOGO, o “perfeito amor”, que é o mesmo que “perfeita obediência” lançará fora todo o medo! Afinal, quem cumpre o mandamento não teme nenhum mal! (Eclesiastes 8.5 ).

O AMOR MADURO

Para João a importância do amor no cristianismo é tamanha que somente em sua primeira epístola ele fez uso da palavra “amor”, em suas diversas formas, mais de 40 vezes. Somente entre 1 João 4.7 e 1 João 5.3 a palavra amor aparece 32 vezes no original grego.

A palavra “perfeito” usada por João para classificar o amor que devemos ter, significa maduro, adulto, completo, finalizado ou pleno.

Podemos comparar o aperfeiçoamento do amor de um cristão ao seu Deus, com o amadurecimento do amor e da obediência de um filho ao seu pai.

Quando a criança nasce o seu pai a ama, mas a criança ainda não ama o seu pai, pelo menos não plenamente. Mas à medida que esta criança se desenvolve, o seu amor amadurecerá juntamente com ela. Quando o filho é ainda criança ele não tem maturidade para assimilar o porquê das diretrizes e ordens que lhe são dadas pelo pai.

Sabemos que a ignorância está apegada a alma da criança, mas a vara da correção resolverá esse problema (Provérbios 22.15 ). Nesta fase do relacionamento a criança aprenderá através da correção e da disciplina, inclusive por meio da vara. Pode não ser a melhor maneira, mas para aquele ponto na vida da criança, em seu processo de crescimento, talvez seja a única forma possível. Assim, a criança muitas vezes aprenderá a obedecer por medo da punição de uma possível desobediência.

À medida que este filho amadurece e se torna homem feito, com o caráter formado, ele terá um comportamento compatível com a educação que recebeu. Mas nesta fase da sua vida, ele terá um procedimento correto não por temer ser punido por seu pai, mas porque aquilo agora faz parte do que ele é. Não é a ausência do medo que aperfeiçoará o amor, mas o aperfeiçoamento do amor que lançará fora o medo.