O temor e a conservação da vida

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Este texto foi extraído do livro Libertação da Imoralidade Sexual, de Natan Rufino.

Alguns cristãos hoje em dia estão tão apavorados com o uso da palavra medo ou temor no meio cristão, que alguns chegam a aparentar que tem medo de ter medo.

Vimos anteriormente a menção positiva que Paulo fez ao temor quando tratava sobre a importância da repreensão na vida dos presbíteros que porventura estivessem vivendo em pecado.

Quando a Bíblia diz que aqueles presbíteros viviam em pecado, isso demonstra que eles estavam vivendo sem muito temor a Deus. Sei que alguns hoje em dia supõem que se um cristão está vivendo em pecado, provavelmente ele nunca nasceu de novo. Mas ao observarmos passagens como esta, entendemos que é possível um crente, nascido de novo, viver no pecado. Deus, porém, pela sua graça, provê os meios pelos quais seus filhos podem ser restaurados a uma vida em comunhão com ele em temor e santidade provenientes da verdade.

A repreensão provida por Deus é uma demonstração clara da sua graça, do seu amor e da sua preocupação com a vida dos seus filhos. Não poderíamos estar convencidos de que Deus nos ama se ele não se desse ao trabalho de nos repreender quando precisamos.

A repreensão ou reprovação de Deus promove o processo de arrependimento e mudança na vida do crente. Paulo disse: “Repreende-os para que sejam sadios” (Tito 1.13), “repreende-os para que temam” (1 Timóteo 5.20).

Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, nem te desanimes quando por ele és repreendido; pois o SENHOR CORRIGE AO QUE AMA, e AÇOITA a todo O que recebe por FILHO (Hebreus 12:5-6).

O temor da reprovação, ou mesmo o temor de uma possível punição, pode ajudar a conservar a vida do cristão nos padrões da Palavra de Deus. Observe os argumentos de Paulo no texto abaixo:

Romanos 13.1-5
1 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
2 De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.
3 Porque os magistrados não são para TEMOR, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu NÃO TEMER a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,
4 visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, TEME; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.
5 É necessário que lhe estejais sujeitos, NÃO SOMENTE POR CAUSA DO TEMOR DA PUNIÇÃO, mas TAMBÉM por dever de consciência.

No texto acima Paulo diz claramente que os cristãos devem fazer aquilo que é correto, inclusive com respeito às suas obrigações civis, NÃO APENAS POR CAUSA DO TEMOR DA PUNIÇÃO, mas também por causa do dever que nos impõe a nossa própria consciência.

Nesta passagem de Romanos 13 aprendemos que devemos fazer o que é certo NÃO SOMENTE por causa do temor, mas o texto não sugere de forma alguma que devemos ser pessoas sem temor algum. O temor da punição é uma ferramenta divina que pode ser muito útil para ajudar o cristão a andar nos trilhos. É pelo temor de ser atropelado que uma pessoa que tem bom senso não atravessa uma grande avenida sem antes olhar para os dois lados. É pelo temor de ser eletrocutado que uma pessoa prudente trata com a eletricidade com muita cautela. Este temor natural, como instinto de auto preservação, nos mantém vivos e alertas. O temor do Senhor funciona da mesma forma no sentido espiritual.

Lucas 12.4,5
4 Digo-vos, pois, amigos meus: NÃO TEMAIS os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer.
5 Eu, porém, vos mostrarei A QUEM DEVEIS TEMER: TEMEI aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, A ESSE DEVEIS TEMER.

Jesus Cristo disse: “Vos mostrarei a quem deveis temer”. Pelo que me parece todo discípulo de Cristo DEVE ter este temor.

A consciência do cristão o mantém na linha sempre que ele permite que ela trabalhe em seu favor e pelo temor do Senhor os homens evitam o mal (Provérbios 16.6).